quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Neuroética: a ética x o uso de nootrópicos e melhoradores cognitivos farmacológicos


A “neurocosmética” avança a galopes. Alguns trabalhos científicos propõem respostas aos anseios do homem por substâncias que melhorem o desempenho da mente. Alguns autores são mais enfáticos, ao concluir que determinadas substâncias podem engendrar os desejados benefícios à memória, atenção e humor. 

Por exemplo, um grupo japonês crava que a l-teanina, composto encontrado naturalmente no chá verde, “claramente tem um efeito pronunciado na performance da atenção e no tempo de reação em voluntários saudáveis e normais com tendência a maior ansiedade", após ensaio clínico num grupo de universitários.

Outro retrato dessas afirmações incisivas é a conclusão de uma dupla de cientistas de Oxford e Harvard, após revisar estudos sobre uma substância totalmente diferente. Dessa vez, uma droga controlada – e com efeitos desconhecidos em longo-prazo – chamada modafinila.

Nas palavras desses pesquisadores, “quando avaliações complexas são utilizadas, a modafinila parece gerar melhorias na atenção, funções executivas e aprendizado de modo consistente” em pessoas saudáveis, sem déficits cognitivos.

É claro que essas conclusões também podem ser contestadas. E devemos sempre considerar os riscos envolvidos. Porém, se fôssemos assumir que essas substâncias são mesmo vantajosas ao nosso desempenho mental, é legítimo ou ético usá-las? 

Como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella, “ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso? Nem tudo que eu quero, eu posso; nem tudo que eu posso, eu devo; e nem tudo que eu devo, eu quero”. Embora soe atrativo, por exemplo, que a l-teanina ou a modafinila melhorem a atenção, será que podemos usá-loa? 

A modafinila é um fármaco controlado – não é possível usá-lo sem prescrição médica. Ainda que, mesmo assim, pudéssemos usá-la, os riscos de um medicamento controlado à saúde provavelmente não compensariam eventuais "benefícios" que foram observados apenas em curto-prazo. 

Mas podemos livremente usar a l-teanina: ela é mais concentrada no chá verde do tipo ‘matchá’ e também é vendida como suplemento alimentar. Mas devemos usá-la para melhorar a atenção? É ético?

A discussão é ainda mais nebulosa ao considerarmos, por exemplo, que 73% de um grupo de estudantes de Medicina analisados em uma pesquisa já usam o café propositadamente para dar um ‘upgrade’ na capacidade intelectual. Bom, a cafeína melhora algumas funções cognitivas e o humor em situações de fadiga. E ninguém torce o nariz para quem bebe um cafezinho para espantar o sono e render mais no trabalho – ou seja, melhorar o desempenho mental. 

Então, seria condenável suplementar a l-teanina (o tal composto do chá verde), por exemplo, para aumentar a atenção? Ou talvez a l-tirosina, um aminoácido (encontrado em alimentos), que “parece melhorar a performance cognitiva de forma eficaz, em particular em condições estressantes ou que demandam muito da cognição”, para parafrasear o resumo de um artigo.

Ao mesmo tempo, o consumo de álcool, substância que também afeta o cérebro, o comportamento e o intelecto, é socialmente aceito. O álcool, porém, tem efeitos negativos: pode “resultar em prejuízos às funções executivas de planejamento, memória operativa e flexibilidade cognitiva” e em danos à estrutura do cérebro. Se o álcool é tolerado em nossa sociedade, por que seria condenável utilizar, por exemplo, a Bacopa monnieri – erva tradicionalmente empregada há milênios para beneficiar a memória e que, segundo pesquisas, poderia ter efeitos neuroprotetores?

A neuroética e o uso responsável de melhoradores cognitivos

Em artigo de opinião na Nature, cientistas falam sobre "uso responsável de drogas melhoradoras da cognição pelos saudáveis"

É claro: são muitas as variáveis envolvidas nesses questionamentos. Respostas simplistas não encerram a questão. Junto com a Neurocosmética, tem crescido a Neuroética. Cientistas têm escrutinizado os aspectos éticos envolvidos no uso de nootrópicos e ‘smart drugs’. 

Um grupo de especialistas conceituados – Barbara Sahakian (Universidade de Cambridge), Henry Greely (Stanford University), John Harris (The University of Manchester), Ronald C. Kessler (Harvard Medical School), entre outros – publicou um artigo de opinião na prestigiada revista Nature (imagem acima). Eles clamam pelo “uso responsável de melhoradores cognitivos pelos saudáveis”. 

“A sociedade deve responder às demandas crescentes pelo melhoramento cognitivo. Essa resposta deve começar rejeitando a ideia de que ‘melhoramento’ é uma palavra suja”, argumentam. “O melhoramento cognitivo tem muito a oferecer aos indivíduos e à sociedade, e uma resposta social apropriada envolverá tornar esses melhoramentos disponíveis enquanto se administram seus riscos”, escrevem. 

Para eles, as drogas podem até parecer diferentes de outros métodos “naturais”, como alimentação e exercício, também usados para melhorar as funções mentais, já que alteram a função do cérebro. “Mas, na realidade, qualquer intervenção que melhora a cognição [também altera a função cerebral]. Pesquisas recentes têm identificado mudanças neurais benéficas provocadas pelo exercício, nutrição e sono (...)”, argumentam. 

Será que essas substâncias seriam uma forma de trapacear? “No contexto de esportes, o melhoramento do desempenho através de fármacos é, de fato, trapaça. Mas, é claro, é trapaça porque é contra as regras. Qualquer bom código de regras precisaria distinguir os métodos de melhoramentos cognitivos permitidos hoje, desde ter professores particulares a cafés espressos duplos, dos novos métodos, se eles precisam ser banidos”. 

Os pesquisadores reconhecem algumas preocupações éticas, como segurança. Para eles, os prós e os contras dessas intervenções devem ser colocados na balança – e isso exige mais estudos científicos para, por exemplo, analisar possíveis efeitos colaterais em longo prazo. “Reivindicamos uma abordagem baseada em evidências para a avaliação dos riscos e benefícios dos melhoramentos cognitivos”, escrevem eles.

Outra preocupação é a liberdade. Imagine se substâncias para aumentar o intelecto fossem disseminadas na sociedade. Será que isso abriria margem para empregadores exigirem o uso delas por seus funcionários, por exemplo? “Um exemplo hipotético é o de uma droga extremamente segura que permitisse cirurgiões salvar mais pacientes. Seria errado exigir essa droga para cirurgias arriscadas?”, questionam os especialistas. 

Para eles, a solução está na construção de políticas que proíbam esse tipo de coerção, exceto em situações muito específicas, como na hipótese do cirurgião. “Empregadores, escolas ou governos não devem exigir, em geral, o uso de melhoradores cognitivos”, consideram eles.  

Uma última preocupação ética é a justiça. Imagine concurseiros que competem por um número limitado de vagas de emprego. Alguns têm acesso, durante a preparação para uma prova, a um nootrópico hipotético com bom perfil de segurança e capaz de melhorar o aprendizado. Outros não têm acesso – talvez por recursos financeiros. “Seria injusto permitir alguns, mas não todos, os estudantes de usar melhoradores cognitivos”, argumentam os pesquisadores. 

Para eles, a solução deve passar novamente por políticas que governem o uso de melhoradores cognitivos. Essas políticas “em situações competitivas devem evitar exacerbar inequidades socioeconômicas (...)”. Eles consideram até mesmo que eventuais disparidades podem ser mitigadas “concedendo a cada participante da prova acesso livre a melhoradores cognitivos” – o que soa utópico, e, reconhecem eles, poderia até criar uma pressão indireta pelo uso de substâncias que melhorem o desempenho cognitivo. 

"Precedente" em outras áreas da Medicina, segundo autores na Nature

Outra questão: diante de pacientes que desejam aumentar o rendimento intelectual, será que médicos podem ou devem prescrever uma droga capaz de melhorar a cognição? Para os pesquisadores, isso dependerá da filosofia do profissional. Médicos que entendem a Medicina como forma de curar os doentes, e não de melhorar os saudáveis, irão desaprovar. 

Contudo, “aqueles que enxergam a Medicina de forma mais ampla, como forma de ajudar pacientes a viver melhor ou atingir seus objetivos estariam abertos para considerar esse tipo de pedido”, dizem os cientistas. “Há certamente um precedente para essa visão mais ampla em alguns ramos da Medicina, como Cirurgia Plástica, Dermatologia, Medicina do Esporte e Medicina da Fertilidade”. Todas essas são áreas que visam ‘aprimorar’ pessoas saudáveis ou ampliar e otimizar suas capacidades naturais.

Diante de tudo isso, os autores desse artigo da Nature concluem que: 

“Como todas as novas tecnologias, o melhoramento cognitivo pode ser usado de uma forma positiva ou negativa. Nós devemos acolher novos métodos de aprimorar nossa função cerebral. Num mundo em que o tempo de trabalho e o tempo de vida estão aumentando, ferramentas de melhoramento cognitivo – incluindo as farmacológicas – serão cada vez mais úteis para aumentar a qualidade de vida e estender a produtividade no trabalho, assim como afastar o declínio cognitivo normal (relacionado à idade) e patológico. 

Melhoradores cognitivos seguros e efetivos beneficiarão ambos indivíduo e sociedade. Mas seria também insensato ignorar problemas que o uso de tais drogas poderia criar ou exacerbar. Com isso, assim como em outras tecnologias, precisamos pensar e trabalhar duro para maximizar seus benefícios e minimizar seus danos”.

Como Aumentar os Níveis de Dopamina Naturalmente?

O que é a dopamina?
A dopamina é um neurotransmissor, isto é, um tipo de mensageiro químico. Assim como hormônios enviam mensagens para vários órgãos, neurotransmissores carregam recados de um neurônio a outro. No caso da dopamina, ela tem muito a ver com nossos níveis de motivação - a nossa persistência em ir além, buscar concretizar nossas ambições e desejos, realizar nossos sonhos. 

Ela também cumpre muitas outras funções. Sabe-se que a dopamina tem um papel em regular nossos níveis de atenção, nosso controle motor... Em meu vídeo (confira abaixo), explico melhor sobre para quê serve a dopamina, de forma bem simples:

E como manter níveis saudáveis de dopamina? Ou até mesmo aumentar os níveis de dopamina? Existem algumas coisas em nosso estilo de vida que podemos fazer:

1. Consuma l-tirosina

A
l-tirosina, um nutriente, serve como matéria-prima para seu cérebro produzir dopamina. Enzimas em seu corpo transformam a l-tirosina em dopamina. Ou seja: você precisa desse nutriente para manter bons níveis de dopamina.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Conheça a 2ª edição do livro "Turbine seu Cérebro"


Os segredos da neurociência para um intelecto mais afiado!


Como otimizar ao máximo a capacidade intelectual? 

Há alguma forma de garantir um raciocínio mais ágil e coerente? Ou de aumentar a atenção e foco em determinada tarefa? Podemos fazer algo para ter uma memória mais afiada ou para aprender habilidades com mais facilidade? 

Que hábitos estão em nosso alcance - como em nosso estilo de vida - para melhorar nosso bem-estar e humor ou para preservar a saúde do cérebro ao longo da vida? 

São essas as perguntas que a segunda edição do livro "Turbine seu Cérebro" responde. 


Clique aqui para comprar o livro

Conteúdo: nootrópicos e estilo de vida

Para trazer a você uma edição mais atualizada, precisa e rica, foram meses de pesquisas sobre os nootrópicos. Essas são substâncias diversas como suplementos, fitoterápicos e fármacos - que supostamente melhorariam a memória, concentração e o desempenho mental.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

7 suplementos e fitoterápicos que podem ajudar a reduzir o estresse, segundo pesquisas


Você acorda e percebe que não ouviu o seu despertador tocar e agora está atrasado para o trabalho! Sirenes tocam em sua mente: você entra em modo de emergência e tenta se arrumar o mais rápido possível. Pronto - você mal acordou e seu corpo já está sofrendo com o estresse.

A visão da psicologia sobre o estresse - e como ele afeta seu cérebro
O estresse vem do inglês stress, que significa "pressão" ou "tensão". Segundo artigo publicado no Jama, experimentamos estresse psicológico quando sentimos que não temos recursos suficientes para superar ou suportar as exigências que recaem sobre nós [1]. Daí, nos sentimos ameaçados - sobrecarregados ou, justamente, sob pressão.

Essa reação pode até ser útil. No exemplo do seu atraso para o trabalho, o estresse te dá o pique para se arrumar na correria. Mas com inúmeras fontes de estresse - boletos, abacaxis que aparecem de surpresa para serem solucionados, prazos, excesso de trabalho e por aí vai - temos um problema.

Instala-se o estresse crônico, que afeta seu corpo e também prejudica a saúde mental, afetando o humor e a cognição. Segundo a Mayo Clinic, o estresse crônico está associado a [2]:
  • Ansiedade
  • Depressão
  • Problemas digestivos
  • Dores de cabeça
  • Doenças cardíacas
  • Insônia
  • Ganho de peso
  • Problemas de concentração e memória - o hipocampo, parte do cérebro que é crucial para gravar informações e para o aprendizado é altamente sensível ao estresse [3].
Pandemia aumentou índices de estresse 
Inclusive, a situação se agravou com a pandemia da covid-19. Novos ingredientes somaram-se à receita do estresse, como o isolamento social, reajustes na rotina e o medo em relação ao futuro. Pesquisa norte-americana, de maio de 2020, mostrou que houve um aumento significativo de estresse sobre o emprego e a economia [4].

Como reduzir o estresse, afinal? Existem suplementos que ajudem? 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Cochilo cafeinado (caffeine-nap): combo de café e soneca pode recuperar energia e alerta, avaliam estudos



Pode soar familiar. Você acordou cedo. Está no meio de um dia exaustivo de trabalho (quem sabe, em home office) ou de estudos. Com a fadiga cognitiva se acumulado, sua mente já está operando em marcha lenta. O que fazer para revitalizar-se rapidamente e recuperar a disposição, o alerta e a atenção que o restante do dia exigirá?

Uma xícara de café?
Um cochilo rápido?

De acordo com a ciência, nem um, nem outro: você deve tentar os dois. Estudos indicam que o meio mais vantajoso para restaurar os níveis de energia e disposição é tentar um "cochilo cafeinado" (do inglês caffeine-nap).

O que é o cochilo cafeinado?
A ideia que os cientistas estão pesquisando é a seguinte: tomar a cafeína (ou alguma fonte do estimulante, como o café) imediatamente antes do cochilo. E esse cochilo deve ser do tipo power-nap: um sono curto. Estamos falando de dormir por não mais que 15 a 20 minutos. 

O tempo importa: se você pregar os olhos por mais tempo que isso, corre o risco de entrar em fases mais profundas do sono. Evita-se, assim, acordar grogue ou com sensação de "ressaca". Colocar um alarme pode ser uma excelente ideia. 

Além disso, os efeitos da cafeína no alerta e atenção tornam-se mais evidentes 20 a 30 minutos após seu uso - coincidindo com o momento em que você desperta.

Experimentos afirmam que o cochilo cafeinado é melhor que o café ou a soneca isoladamente

Em 1997, dois pesquisadores examinaram os efeitos da cafeína e da soneca em um pequeno grupo de pessoas sonolentas e as dividiram em: 1) quem usou 200 mg de cafeína (no café), 2) quem usou um café descafeinado (placebo), 3) quem apenas cochilou, 4) quem cochilou e usou 200 mg de cafeína logo antes [1, 2].

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Perfil: Semax - o que é, para que serve, mecanismos de ação, estudos sobre eficácia e segurança


O que é o Semax?
O Semax é uma molécula fabricada em laboratório, ou seja, não existe na natureza. Ele é considerado um neuropeptídeo. Isso significa que é um peptídeo (conjunto de aminoácidos) que afeta o sistema nervoso central. Não é disponível no Brasil para uso humano, não tendo sido avaliado pela Anvisa.

É vendido na Rússia como medicamento para o tratamento de problemas neurológicos e cognitivos. Pesquisadores russos alegam que a substância é um nootrópico - isto é, que amplia as capacidades cognitivas e protege o cérebro. Mas poucas evidências estão disponíveis para comprovar essas alegações. Mesmo assim, em websites norte-americanos, entusiastas de nootrópicos chegam a elogiar o Semax como "o caviar dos nootrópicos russos".

Confira o que a ciência diz sobre essa substância.

ATENÇÃO: esse artigo não promove nem endossa o uso de Semax, que não é registrado na Anvisa. O objetivo é apenas discutir o que se conhece a respeito dos seus efeitos.

Relação com o ACTH
O Semax foi desenvolvido tendo como base a molécula do hormônio adrenocorticotrófico (ou ACTH) [1]. Esse hormônio, que ocorre naturalmente em nosso corpo, é formado por 39 aminoácidos - unidades que ligam-se como blocos de Lego para montá-lo. O Semax é fabricado como um análogo de um fragmento inicial da molécula de ACTH - os aminoácidos 4 a 10. 

No desenvolvimento do Semax, modificações no fragmento original 4-10 do ACTH foram realizadas, de modo a garantir resistência contra a metabolização. Com isso, o Semax tem um tempo de atividade mais longo (cerca de 20 vezes maior) in vivo que o fragmento original de ACTH.

Compostos com essas características - análogos do fragmento inicial de ACTH - são considerados por autores russos como "bem reconhecidos por suas potentes atividades neuro-restauradoras e atividades cognitivas" [1] [2]. 

Assim, a busca por moléculas com essas qualidades - que ajudassem a regenerar o tecido nervoso lesionado ou a melhorar as capacidades intelectuais - levou à criação do Semax e incentivou as pesquisas em torno dessa substância.

Na avaliação dos pesquisadores russos, o Semax tem "profundos efeitos no aprendizado e exerce pronunciadas atividades neuroprotetoras" após a aplicação intranasal.

É importante notar que o Semax não tem atividade similar ao ACTH. Apesar da sua semelhança estrutural com um fragmento do ACTH, o Semax é "completamente destituído de qualquer atividade hormonal associada com a molécula inteira de ACTH" [1].

Usos aprovados

Na Rússia, o Semax é aprovado como fármaco. Ele é o composto ativo de drogas intranasais "Solução de SEMAX-0.1%" e "Solução de SEMAX-1.0%", de acordo com a concentração. Esses medicamentos são indicados para o tratamento de traumas cerebrais, infartos e insuficiência circulatória e também para "melhorar as habilidades de aprendizado e formação de memória" [1].

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Entrevista sobre a sulbutiamina, um nootrópico anti-fadiga, com Bernardo Starling

"Sulbutiamina: 'mãozinha' do astênico". A sulbutiamina é indicada para a astenia - ou exaustão - física, psíquica e intelectual


Entre as substâncias que supostamente melhorariam o desempenho cognitivo, a sulbutiamina ocupa lugar de destaque. Isso porque, devido às suas propriedades psicoestimulantes, a sulbutiamina conseguiria debelar um dos principais rivais dos tempos modernos: a falta de vigor e a exaustão. No Brasil, esse composto é um medicamento de nome comercial Arcalion indicado para o cansaço físico, psíquico e intelectual, segundo a bula.

A bula do fabricante ainda garante que a sulbutiamina "atua no sistema nervoso central e neuromuscular, agindo como fator natural de resistência física, de eficiência intelectual e de equilíbrio psíquico". Bom demais para ser verdade?

Para avaliar essas alegações, pesquisadores recentemente publicaram uma revisão científica sobre a sulbutiamina no Journal of Nutrition and Metabolism. No resumo, eles afirmam que "existe alguma evidência que a sulbutiamina possa ter efeitos anti-fadiga, nootrópicos e antioxidantes, o que levou ao seu uso como suplemento esportivo".

Recentemente, tive o prazer de entrevistar um dos autores, o nutricionista Bernardo Starling, a respeito de seu trabalho sobre a sulbutiamina. Bernardo Starling é formado em Nutrição, pós graduado em Nutrição Ortomolecular e Nutrigenômica e Mestre em Bioquímica (UFPR). Professor e pesquisador, o profissional mantém ainda um consultório, onde presta atendimento nutricional, com foco, principalmente, para atletas em busca dos melhores resultados em competições.

Starling avalia que a sulbutiamina tem potencial para trazer "melhora na qualidade e fixação do raciocínio". Além disso, após sua pesquisa, considera que a substância é promissora para "diminuir a fadiga de quem tem uma carga mental e cognitiva muito grande em seu dia a dia". Os autores do estudo observam, contudo, que novos estudos precisam ser conduzidos para esclarecer e confirmar o potencial da sulbutiamina.

Lembrando que, no Brasil, ela é considerada medicamento - e por isso, seu uso deve ser indicado por um médico. Não se automedique.

Confira a entrevista completa abaixo: