segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Fluoromodafinil: o despertar de um "potente estimulante da vigília"

Modafinil da Cephalon
Com vendas que somavam em torno de 1 bilhão de dólares ao ano, em 2015, o modafinil ainda é o carro-chefe da companhia farmacêutica Cephalon.

Num artigo chamado "O negócio bilionário de ser inteligente", autores revelam que 80% dessas prescrições do modafinil, porém, não foram destinadas a pacientes com narcolepsia - ataques irresistíveis de sono, que é a indicação real da droga. [R].

Na verdade, médicos mais prescreviam o modafinil como "ferramenta para manter o cérebro afiado" - no tratamento da fadiga, por exemplo. Também sabemos que há um interesse crescente pela droga motivado por relatos da sua capacidade de melhorar as funções mentais. Uma meta-análise de 2015, por exemplo, concluiu que em tarefas complexas "o modafinil aparenta de modo consistente engendrar uma melhora da atenção, funções executivas e aprendizado" [R].

O curioso é que a Cephalon promovia, em parte, esse uso não-oficial do modafinil. A prática rendeu à empresa o pagamento de uma multa vultosa por marketing ilegal - algo inédito entre as empresas farmacêuticas. Todo esse cenário mostra o quanto, nos bastidores, a saúde é tratada como mercadoria.

domingo, 29 de julho de 2018

Drogas da inteligência? Uma pesquisa sobre os 7 "nootrópicos" considerados "mais potentes"

O perfil completo dos 7 melhoradores cognitivos considerados mais potentes: segurança, eficácia e relatos

[AVISO: nesse artigo, descrevo e analiso informações sobre várias substâncias psicotrópicas. Isso não constitui endosso ao uso dessas substâncias.]

Corneliu Giurgea, o pai dos nootrópicos

"A humanidade não irá esperar por milhões de anos até que a natureza lhe dê um cérebro melhor". Isso é o que o químico que batizou o termo "nootrópicos", Corneliu Giurgea, disse décadas atrás. 

Afinal, o que são nootrópicos?

A profecia se realizou - cada vez mais pessoas buscam por nootrópicos. Mas você consegue defini-los? Tente, e depois retorne ao artigo.

Pronto?

O que todo mundo concorda: nootrópicos seriam substâncias que otimizam a memória, concentração, raciocínio, motivação e outras habilidades intelectuais. Mas só isso não basta.

Isso porque fóruns sobre nootrópicos discutem desde substâncias quase inócuas, como ômega 3, a até medicamentos (merecidamente) controlados, como a Ritalina (metilfenidato). Não é possível que sejam farinha do mesmo saco.

Então, como separar o joio do trigo?

sábado, 30 de junho de 2018

L-teanina: serenidade e concentração em cápsulas

[Disclaimer: conteúdo para fins informativos. Não tem a intenção de diagnosticar, tratar ou prevenir doenças. Consulte um médico antes de utilizar qualquer suplemento ou medicamento].

A l-teanina é um nootrópico relaxante e que melhora a atenção

"Ótima concentração e humor calmo, estável". "Tranquilo, focado e sem preocupações. Sem tremedeiras". "Uma energia serena e que dura por horas"."Fico extremamente produtivo durante o trabalho. Quando eu saio, ainda tenho energia". Os relatos são sobre uma combinação simples e muito subestimada: cafeína e l-teanina.

Se você não conhece, a l-teanina é um aminoácido presente no chá verde – bebida que há milênios é venerada por monges chineses por sua capacidade de relaxar a mente. E a ciência atribui esse efeito justamente a l-teanina.

A l-teanina também é sintetizada de forma isolada dos demais componentes do chá verde em laboratórios. Ela promove alterações no cérebro, de modo a provocar em seu usuário uma sensação dual de relaxamento e foco.

Essas mudanças também levam a uma melhora no desempenho cognitivo, conforme mostram pesquisas. As melhoras são ainda mais proeminentes quando a l-teanina é combinada com a cafeína.

domingo, 29 de abril de 2018

Como turbinar o cérebro com 7 atitudes simples

Quer um cérebro melhor? Então comece a cuidar bem dele.


O quanto você está disposto a sacrificar para conquistar seus sonhos? A Fernanda, estudando para a prova de residência médica, não se incomodava em sofrer para chegar lá. Ela contou:
Sábado eu recebi o resultado do simulado da prova, e foi muito ruim. Fiz 44% do total. Fiquei mal. Decidi estudar mais. 
E estudei. Saí do time do cheerleading (coisa que eu amo) para estudar melhor. 
E aí ontem meu cérebro quebrou. Comecei a sentir uma tontura bizarra. Não achei descrição. Era uma sensação de que o corpo ia, mas a cabeça ficava. Mantive firme. Fui pra aula da noite (...).
Não achei nada que justificasse além de cansaço. (...) Não sei se estou fazendo bem em entregar minha saúde para isso. Ao mesmo tempo, nem passa pela minha cabeça desistir dos meus objetivos. Eu quero. Ponto final.
Pode ser que você se identifique. Ou pode ser que você pense: "que mulher esforçada! Ela está de parabéns!".

Errado!

Estamos sabotando nosso próprio desempenho.
Isso muito tem a ver com o mundo em que vivemos hoje: somos constantemente cobrados a desempenhar, conquistar, realizar: passar no vestibular, concluir a graduação, ser aprovado em X e Y, ganhar mais que Z. 

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Ômega 3 funciona? Aumenta a inteligência?

Ômega 3: é puro placebo ou tem efeitos perceptíveis na atenção e memória? Na verdade, os dois.
a


Quem nunca sintonizou na programação vespertina do SBT e sofreu com a voz de taquara rachada da Aracy da TopTherm? Tentando lucrar com suplementos de ômega 3, ela prega: "é um alimento do cérebro, do coração!". O marketing excessivo faz parecer pura história de pescador que o tal ômega deixe o cérebro mais afiado.

Afinal de contas, o ômega 3 funciona? Quem suplementá-lo irá ter algum benefício notável na memória, humor ou concentração? Depende de para quem você pergunta.

Ao consultar os usuários desse suplemento, talvez a maioria lhe diga que não "sentiu" nenhum efeito - logo, ele não funciona. Mas, ao consultar a literatura científica, irá encontrar muitas evidências que o uso crônico de ômega 3, em pessoas jovens e saudáveis, melhora significativamente alguns parâmetros cognitivos, comparado a um placebo. Por que essa diferença? Vamos entender...

O que a ciência diz sobre o ômega 3

terça-feira, 17 de abril de 2018

Creatina na cabeça

Não só para os músculos



A creatina é popular entre os que almejam alguns centímetros a mais de circunferência bicipital. Evidências sugerem que ela não fortifica só os músculos, mas também afia o cérebro.


Vamos deixar isso claro: creatina não é uma droga obscura, feita exclusivamente em laboratório e vendida clandestinamente como anabolizante em lojinhas de suplemento. Tanto que seu próprio corpo já é uma fábrica de creatina. E você também a obtém naturalmente na dieta, em carnes. 

O que se discute, porém, é o seu poder nutracêutico – dosagens maiores de creatina, por suplementação. Elas poderiam promover benefícios tanto na academia quanto nos estudos, segundo pesquisas.

Após a ingestão de creatina em homens saudáveis, nota-se aumento dos seus níveis no cérebro, demonstrando que ela atinge o órgão [1]. Por lá, a creatina atua da mesma maneira que age no músculo em exercício: aumenta a disponibilidade de energia.


Seu cérebro gasta energia para caramba - e essa energia é obtida pela quebra química de uma molécula chamada ATP - adenosina trifosfato. O que a creatina faz é servir como um estoque extra de energia, ajudando a regenerar o ATP quando ele é quebrado. Assim, ela mantém o seu maquinário neurológico funcionando [2]. 

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Como nootrópicos afetam os neurotransmissores?


Nosso cérebro adora categorizar as coisas. Essa tendência não é diferente em fóruns e blogs informais sobre nootrópicos: o grande frenesi é classificá-los de acordo com o neurotransmissor que afeta. A lógica é: se, por exemplo, a acetilcolina é crucial para a memória, então é só aumentá-lo usando nootrópicos colinérgicos que teremos mais memória.

Mesmo alguns autores enfatizam neurotransmissores como "alvos" que devem ser aumentados a fim de potencializar o intelecto [1]. Há um pouco de verdade - mas muitos pecados - quando seguimos esse raciocínio em pessoas com uma cognição "normal".

Como eu disse recentemente, neurotransmissores não são tão previsíveis quanto "serotonina é humor; dopamina é motivação e foco..." - há mil e uma variáveis para se determinar seu "efeito".

Mas há mais que isso: pouca dopamina no córtex pré-frontal poderia causar distração e impulsividade - por apatia e desinteresse. Mas o seu excesso também causaria distração e impulsividade - por hiperatividade. Níveis de neurotransmissores variam o tempo todo em uma única pessoa. E, antes que me pergunte, não existe nenhum exame confiável para você checar tais níveis.



Também tem outra questão: de qual atividade estamos tratando? O gráfico acima compara os níveis de performance de acordo com os níveis de dopamina. Na tarefa em verde - vamos supor: lavar a casa - mais dopamina poderia lhe garantir a energia para uma faxina bem produtiva. Mas esse mesmo estado hiperdopaminérgico prejudicaria o desempenho na leitura e compreensão de um texto [3].