sexta-feira, 14 de maio de 2021

Alpha-GPC: o que é, efeitos, como age, eficácia e segurança

O que é alpha-GPC?

O alpha-GPC é, de modo simples, uma forma altamente biodisponível de colina, uma vitamina que estimula a memória. Clique aqui para ler meu artigo completo sobre esse nutriente. 

Resumidamente, a colina é chave para fabricar acetilcolina, um mensageiro químico envolvido com a memória e o aprendizado. Além disso, a colina exerce papel na estrutura dos neurônios, pois é necessária para fabricar a membrana neuronal [1], [2], [3], [4], [5]. 

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Pycnogenol / Flebon: o que é, como age e quais seus efeitos no cérebro

O que é o Pycnogenol e Flebon?

Pycnogenol® é um dos mais poderosos antioxidantes naturais. Trata-se de um extrato fitoterápico, obtido a partir das cascas de um pinheiro (Pinus pinaster), que é rico em antioxidantes das classes dos flavonoides e polifenóis. No Brasil, é vendido sob prescrição médica sob o nome de Flebon.

Após ingestão oral, esses compostos antioxidantes ficam elevados por até 14 horas no sangue [1].

Efeitos do Flebon na circulação sanguínea

O Pycnogenol (Flebon) tem muitos efeitos interesses - um deles está em melhorar a dilatação os vasos sanguíneos. Pacientes com doença arterial coronariana que receberam 200 mg/dia de Pycnogenol por 8 semanas tiveram uma melhora significativa do fluxo sanguíneo, de modo superior ao placebo [2].

Melhor circulação significa que oxigênio e nutrientes chegam aonde precisam. Inclusive ao cérebro, que é um "vampirão": ele consome 20% do oxigênio, mesmo tendo 2% da massa corporal. 

Pesquisadores da Universidade de Swinburne (Austrália) explicam que:

“Essa ação de relaxar os vasos sanguíneos e torná-los mais flexíveis não apenas beneficia o cérebro, mas também reduz o estresse do sistema cardiovascular e de todo o corpo, devido a uma melhor circulação” [3]. 

Já pesquisadores da Universidade de South Florida descobriram o mecanismo por trás desses efeitos: o Pycnogenol estimula a produção de óxido nítrico, famoso vasodilatador natural [4].

Ações antioxidantes e antiinflamatórias do Flebon (Pycnogenol)

Como eu te contei ali em cima, esse extrato fitoterápico conta ainda com uma notável ação antioxidante, ou seja, capaz de frear a oxidação dos neurônios. “O cérebro humano é altamente suscetível aos danos oxidativos”, como afirmam pesquisadores [3]. 

Lembra do apetite voraz do cérebro por oxigênio? Isso gera muita oxidação. Assim como a manteiga fica rançosa fora da geladeira, o cérebro, rico em substâncias gordurosas, também pode sofrer o mesmo - algo chamado de peroxidação lipídica. E o cérebro tem menor resserva de antioxidantes [3]. 

Daí que entra o Pycnogenol (Flebon).

O estresse oxidativo tem sido apontado como uma das causas de um declínio da capacidade intelectual. Pesquisadores da Universidade de Chieti-Pescara (Itália) apontam que:

"É possível que em profissionais estressados e muito ativos o aumento do estresse oxidativo possa ser tanto o resultado quanto a causa de alterações (...) nas funções cognitivas, que afetam de modo significativo o estilo de vida, desempenho e possivelmente mesmo a vida pessoal" [5].

O leque de ações é ainda mais ampliado ao se considerar que o Pycnogenol exibe alguns efeitos anti-inflamatórios [9].  

Efeitos do Pycnogenol (Flebon) nas funções mentais

Esses pesquisadores italianos analisaram os efeitos do uso de 150 mg/dia de Pycnogenol no intelecto de adultos saudáveis entre 35 a 55 anos com “estresse oxidativo elevado”.

Após 3 meses, esses adultos tiveram uma queda significativa – na média, 30,4% – nos níveis de substâncias oxidativas, comparado a um grupo que não recebeu Pycnogenol. 

Somado a isso, o uso do extrato aumentou significativamente a memória de trabalho e episódica, atenção sustentada e funções executivas, de modo superior ao placebo.

Outro impacto positivo do Pycnogenol foi na execução de tarefas do dia-a-dia, como lidar com dinheiro e resolver problemas; além de melhorar a performance em tarefas profissionais. 

Quem usou Pycnogenol teve melhora em parâmetros de humor, como maior alerta e contentamento e menor ansiedade [5].

Outros pesquisadores descobriram mais benefícios nm grupo de jovens universitários saudáveis. Eles receberam Pycnogenol (100 mg/dia) por 8 semanas, associado a “um plano de saúde padronizado”. Após 2 meses, tiveram melhoras em testes de foco, memória e funções executivas, comparado a um grupo que não recebeu o extrato.

Também ficaram mais de bem com a vida: sentiam-se mais alertas, contentes e calmos. Nos exames universitários, eles obtiveram pontuações melhores do que o grupo de jovens que não recebeu Pycnogenol [8].

TDAH e declínio cognitivo

Benefícios também foram notados em crianças com TDAH. Um estudo verificou que elas tinham maiores danos oxidativos no DNA quando comparadas a crianças sem esse diagnóstico. 

A suplementação com o Pycnogenol por 1 mês foi capaz de reduzir a oxidação do material genético e aumentar a capacidade antioxidante do sangue. Em paralelo, elas tiveram melhora da atenção [6]. 

Em pessoas saudáveis, entre 55 a 70 anos, o uso de Pycnogenol por 12 meses também produziu efeitos interessantes. O extrato derrubou em 28% os seus níveis de estresse oxidativo. Não houve redução num outro grupo que não recebeu Pycnogenol. 

Além disso, aqueles que consumiram o extrato por um ano tiveram uma melhora em índices de declínio cognitivo, na execução de tarefas do dia-a-dia e nas funções cognitivas [7]. 

Conclusão

Pesquisadores australianos concluíram que:

"Os efeitos biomoduladores do Pycnogenol melhoram vários mecanismos que podem sustentar a cognição, incluindo processos vasculares, anti-inflamatórios, neuroprotetores e antioxidantes. 

(...) Com ensaios clínicos preliminares indicando benefícios em vários domínios cognitivos, incluindo atenção, memória e funções executivas” [3].

O Pycnogenol (Flebon) só pode ser vendido sob prescrição médica. É indicado para tratar problemas vasculares, segundo a bula. 

Referências

[1] Single and multiple dose pharmacokinetics of maritime pine bark extract (Pycnogenol) after oral administration to healthy volunteers – https://link.springer.com/article/10.1186/1472-6904-6-4

[2] Effects of Pycnogenol on endothelial function in patients with stable coronary artery disease: a double-blind, randomized, placebo-controlled, cross-over study – https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22240497/

[3] Assessing the Efficacy and Mechanisms of Pycnogenol® on Cognitive Aging From In Vitro Animal and Human Studies – https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphar.2019.00694/full#B20

[4] Endothelium-dependent vascular effects of Pycnogenol – https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9781917/

[5] Pycnogenol® improves cognitive function, attention, mental performance and specific professional skills in healthy professionals aged 35-55 – https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24675223/

[6] Effect of polyphenolic extract, Pycnogenol, on the level of 8-oxoguanine in children suffering from attention deficit/hyperactivity disorder – https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17015282/

 [7] The COFU3 Study. Improvement in cognitive function, attention, mental performance with Pycnogenol® in healthy subjects (55-70) with high oxidative stress. – https://europepmc.org/article/med/26635191

[8] Pycnogenol® supplementation improves cognitive function, attention and mental performance in students – https://europepmc.org/article/med/22108481

[9] Inhibition of NF-κB activation and MMP-9 secretion by plasma of human volunteers after ingestion of maritime pine bark extract (Pycnogenol) – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1413525/

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

7 suplementos que melhoram a memória e a atenção - segundo a ciência

A ideia de aumentar o poder do cérebro parece digna de ficção científica. Quem não desejaria ter uma memória de elefante, raciocinar com mais clareza e aguçar a concentração? É um quadro pintado, por exemplo, por filmes como "Sem Limites" e que dialoga com a ambição humana de aprimorar suas próprias capacidades. 

E se, como na ficção científica, houvesse uma pílula que ampliasse as capacidades mentais?

"Drogas que melhoram a cognição são também conhecidas como nootrópicos (...) Foi descoberto que alguns (...) também melhoram as funções cognitivas em pessoas saudáveis, como memória, funções executivas, criatividade e motivação", analisam estudiosos no periódico Frontiers in Psychiatry.

Nesse artigo, separei 7 substâncias que, comprovadamente, deixam o cérebro mais esperto. Mas é preciso separar a fantasia da realidade:

  • Não há nada que te transformará num Einstein ou Beethoven do dia para a noite. O impacto dessas intervenções tende a ser mais modestos.
  • Elas também não são isentas de efeitos colaterais, devendo seu uso ser orientado por um profissional da saúde. 
  • As estratégias mais poderosas são essas: boa higiene do sono, práticas físicas e alimentação saudável. Sem isso, usar suplementos para melhorar a cognição é tapar sol com a peneira.
Confira a lista dessas substâncias que a ciência aponta como capazes de beneficiar o cérebro. E não deixe de ler meu livro, Turbine Seu Cérebro, para saber mais!

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Aniracetam: o que é, mecanismo, eficácia e efeitos colaterais

O que é o aniracetam?

O aniracetam é um fármaco considerado nootrópico:

"O aniracetam é membro da classe de drogas dos nootrópicos, que tem um possível efeito de melhorar a cognição", segundo uma descrição publicada no periódico Drugs&Aging.

Esse medicamento foi desenvolvido pela companhia farmacêutica Hoffmann-La Roche no fim dos anos 1970. O aniracetam é prescrito em alguns países europeus para tratar problemas de memória e atenção. No caso do Brasil, essa substância não é aprovada como medicamento. Em consulta no website da Anvisa, não há registro do aniracetam.

Comparação com o piracetam

Por sua estrutura molecular, o aniracetam (N-anisoil-2-pirrolidinona) é classificado como um racetam. Assemelha-se estruturalmente ao nootrópico piracetam, que é o protótipo dos racetams.

Uma diferença entre os dois é o que o aniracetam é mais solúvel em gorduras (lipossolúvel), diferente do piracetam, que é hidrossolúvel. Substâncias lipossolúveis atravessam barreiras biológicas com mais facilidade. Daí, especula-se que o aniracetam seja mais eficaz em penetrar no cérebro.

Ao menos em estudos em animais, "de modo consistente, o aniracetam mostrou-se consideravelmente mais potente que o (...) piracetam", segundo revisão de literatura publicada no Drug Investigation. 

Em camundongos, por exemplo, o aniracetam teve potência dez vezes maior que a do piracetam em corrigir déficits de memória e aprendizado causados por excesso de dióxido de carbono. Isso significa que doses menores de aniracetam foram necessárias para obter um efeito equivalente ao do piracetam.

Quais os efeitos do aniracetam no cérebro?

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Ômega-3 (EPA e DHA) como nootrópicos: o que você precisa saber

Se você deseja ler meu artigo mais atualizado e completo sobre o ômega, clique aqui.

Ômega-3 (EPA e DHA): o que são?

EPA [ácido eicosapentaenoico] e DHA [ácido docosa-hexaenoico] são ácidos graxos poli-insaturados (gorduras boas) que chamamos de ômega-3. São especialmente encontrados em peixes de águas frias e profundas. O EPA e o DHA são nutrientes essenciais, isto é, que nosso corpo não fabrica. Precisamos ingeri-los na dieta. 

O ALA, ômega-3 presente em fontes vegetais (como a chia, por exemplo), precisa ser convertido pelo corpo em EPA e DHA, mas esse processo é pouco eficiente. 

O óleo de peixe é o suplemento mais comum como fonte de ômega-3 (EPA e DHA).

Como o ômega 3 age no cérebro?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Os benefícios do Panax ginseng

Conheça o ginseng HRG80 - versão sofisticada da raiz milenar, usada para aumentar a energia e vitalidade

"Eu nunca me senti tão bem e energizado, em muitos anos. A 'sensação' de energia e foco veio a mim desde o primeiro dia (...). A produtividade e atenção no trabalho têm aumentado intensamente desde então, e eu também durmo melhor". "Eu me sinto muito energizado após usá-lo. É como beber uma xícara de café, para mim".

Os relatos acima, publicados na Amazon, são de usuários entusiasmados com cápsulas de HRG80 - um produto inovador à base de ginseng, da empresa belga Botalys. Nas propagandas, o HRG80 é promovido como uma preparação especial de ginseng, por ser superior e ultraconcentrada em ingredientes ativos "para ajudar você a se sentir energizado o dia todo, todos os dias" (sic).

Eu conversei com Pierre-Antoine Mariage, co-CEO da Botalys e Nicolas Houyoux, diretor de marketing da empresa (a entrevista completa está ao final desta publicação). Eles reforçam as qualidades do ginseng: relatam que, em testes de consumo, usuários do HRG80 relatam sentir mais foco e energia - ao ponto de cortarem seu consumo diário de café. "O ginseng HRG80 definitivamente dá aquela sensação de 'um dia bom e produtivo' se você usá-lo pela manhã", dizem.

Embora o HRG80 tenha sido batizado só em 2018, o uso de raízes de ginseng - de nome científico Panax ginseng - para sentir mais energia e vitalidade não é novidade entre os orientais. Escrituras chinesas milenares já descreviam que o ginseng serve para "manter a mente animada", "melhorar a cognição e inteligência" ou para "encher de vigor o corpo enfraquecido".

"O ginseng é considerado como o rei dos adaptógenos, que são plantas que aumentam a resiliência contra várias fontes de estresse", explicam Mariage e Houyoux. Por conta dessa reputação, o ginseng saiu somente da Ásia e encontrou terreno fértil no Ocidente. Ao lado do HRG80, existem outras dezenas de formulações comerciais à base de ginseng, que vendem-se como remédio para uma vida atarefada, exaustiva e que coloca muitos em parafuso. 

As prateleiras das farmácias brasileiras estão repletas de produtos de ginseng, frequentemente combinado a vitaminas. Algumas bulas dizem que o ginseng serve para "recuperação em casos de fadiga física e mental (como, por exemplo, sensação de desgaste, irritabilidade, dificuldade de concentração)".

Crivo da ciência: ginseng funciona?

Porém, será que, de fato, o ginseng tem bala na agulha? Uma revisão de literatura da Cochrane apontou que o ginseng promove "melhoras de alguns aspectos da função cognitiva, comportamento e qualidade de vida", mas lembrou que ainda faltam evidências contundentes sobre isso.

Já um ensaio clínico mais recente, financiado pela Botalys, investigou especificamente a eficácia das cápsulas de HRG80 para combater sintomas de fadiga e estresse em trabalhadores sobrecarregados. A pesquisa concluiu que a preparação de ginseng beneficiou a "atenção, memória e percepção de estresse após administração única e repetidas por 5 a 12 dias", de modo superior ao placebo.

Gatos e lebres: o que torna o ginseng HRG80 especial

Na imagem, produto comercial vendido no exterior que tem o ginseng HRG80 como seu ingrediente

As conclusões sobre eficácia do ginseng podem ser diferentes entre os estudos - porque nem todo ginseng é igual. As formulações disponíveis na farmácia da sua esquina podem ter variações imensas entre si em termos de perfil molecular, concentração de princípios ativos e, portanto, em efeitos ou resultados.

O ginseng "original", que cresce nas regiões silvestres da China, Coreia e Sibéria está praticamente extinto. A variedade que compramos hoje é de ginseng cultivado em campo - e sua qualidade e potência finais dependem da qualidade do solo, tempo de colheita (quanto mais antiga a raiz, maior sua potência), ataques de pestes, uso de defensivos agrícolas, etc.

É aí que entra o ineditismo do ginseng HRG80, que se vale da hidroponia - técnica em que o solo é substituído por uma solução nutritiva. O HRG80 é cultivado em condições ótimas - num ambiente estéril, protegido, sem uso de agrotóxicos, com controle de temperatura, umidade e luz. Tudo para atingir potência e qualidade similar à do ginseng obtido na natureza.

Técnica de hidroponia: imagem ilustrativa

Esse ginseng ainda é processado com cozimento ao vapor - transformando-o no "ginseng vermelho". O resultado é o HRG80 - segundo pesquisa, com maior concentração e espectro de compostos bioativos, como ginsenosídeos e polissacarídeos de ginseng. Tal coquetel molecular garantiria uma preparação com efeitos mais pronunciados na disposição física e mental.

"Somos capazes de recriar as condições silvestres ideais (...). Nossa variedade de ginseng coreano (Panax ginseng) é chamada de HRG80 e nós a cultivamos em condições específicas a fim de obter um pó de raiz de ginseng rico em constituintes ativos e com um perfil molecular otimizado para propriedades terapêuticas", explicam os membros da Botalys.

É importante enfatizar que o consumo de qualquer preparação de ginseng deve ser orientada por um profissional de saúde - uma vez que ele pode ser contraindicado em algumas situações (por exemplo, para diabéticos) ou interagir com medicamentos eventualmente em uso (por exemplo, antidepressivos).

Entrevista sobre o ginseng HRG80

Confira abaixo a entrevista com Pierre-Antoine Mariage, co-CEO da Botalys e Nicolas Houyoux, diretor de marketing da empresa, sobre o ginseng HRG80. Não há qualquer parceria comercial entre este blog e a Botalys. Também não promovo o HRG80 ou qualquer preparação de ginseng - o objetivo deste artigo é meramente informativo.

O uso do ginseng remonta há muito tempo. Você poderia descrever o seu uso tradicional em países asiáticos? E para que fins as pessoas usam o ginseng na Europa?

Ilustração de raiz de ginseng na China. Johan Niehouf. Via Wikimedia Commons

O ginseng tem sido louvado como uma importante planta medicinal na cultura asiática por milênios. Inicialmente, era considerado um privilégio da nobreza consumi-lo e ele se situa [historicamente] até na origem da fronteira entre China e Coreia. Enquanto originalmente foi considerada uma planta para a longevidade, as autoridades asiáticas hoje reconhecem muitas outras aplicações de saúde específicas, desde saúde cognitiva até sintomas de menopausa.

Surpreendentemente, o potencial do ginseng para a saúde é pouco explorado na Europa. Grande parte dos produtos formulados com ginseng na União Europeia são para fins de energia e/ou para auxiliar no sistema imunológico. Contudo, uma vez que produtos nootrópicos estão tornando-se cada vez mais populares, está crescendo o interesse sobre outras propriedades do ginseng, como foco, ajudar na memória, etc.

Você investigou a eficácia de uma preparação moderna de ginseng (HRG80). Primeiramente, você pode explicar o que é o ginseng HRG80? Como ele é obtido?

Pierre-Antoine Mariage e Paul-Evence Coppée, fundadores da Botalys. Foto via Vives

A potência dos extratos botânicos depende do perfil molecular da planta. O perfil molecular é baseado na variedade da planta e no ambiente de crescimento (acesso à água e a nutrientes, luminosidade, controle de umidade, ataque de pragas, etc.). Numa abordagem clássica, grande parte das variedades [das plantas] são selecionadas pela produtividade e não por suas propriedades medicinais, e as condições de crescimento são diferentes de lugar para lugar e de colheita para colheita.

A BOTALYS decidiu cuidar dessas questões utilizando uma abordagem única. Através da horta vertical em interiores, somos capazes de recriar as condições silvestres ideais para a produção de perfis moleculares otimizados. Além disso, nós desenvolvemos nossas próprias variedades [de plantas] tendo em mente os benefícios à saúde, para de fato obter o melhor fitoterápico.

Nossa variedade de ginseng coreano (Panax ginseng) é chamada de HRG80 e nós a cultivamos em condições específicas a fim de obter um pó de raiz de ginseng rico em constituintes ativos e com um perfil molecular otimizado para propriedades terapêuticas. Como ele é naturalmente rico [em princípios ativos], não precisamos realizar nenhuma extração e apenas cozinhamos o ginseng através de um processo inspirado na tradição coreana (o ginseng vermelho é [obtido através do] ginseng branco cozinhado ao vapor para atingir formas mais biodisponíveis de ginsenosídeos).

Como o ginseng HRG80 se diferencia do ginseng branco típico? Quais são as vantagens da preparação de ginseng HRG80 sobre as preparações tradicionais?

Ginseng vermelho, pó fino obtido após secagem e moagem das raízes cozidas a vapor. Foto via Vives

O ginseng da BOTALYS tem essencialmente 3 principais vantagens:

  • Pureza absoluta: uma vez que nosso ginseng cresce num ambiente interno ultra-purificado, não contém qualquer traço de contaminação, sejam pesticidas, metais pesados ou mesmo solventes (uma vez que nenhuma extração é necessária para obter nosso elevado conteúdo de princípios ativos).
  • Naturalmente rico em ginsenosídeos bioativos: nossa raiz de ginseng é naturalmente rica em ginsenosídeos (> 10%) sem, ser necessário qualquer processo de extração. Levaria mais de 20 anos para obter esse nível na natureza [isto é, em ambiente selvagem]. Para fins de comparação, o ginseng clássico no mercado nutracêutico tem cerca de 3 anos e o ginseng premium tem cerca de 7 anos (quanto mais antigo, mais rico em princípios bioativos).
  • Perfil molecular estável com comprovados benefícios à saúde: nosso ginseng não somente é rico em ginsenosídeos, como também possui tipos de ginsenosídeos bem específicos, uma vez que mais de 80% deles são formas bioativas de ginsenosídeos. De fato, os ginsenosídeos “clássicos” são precursores de formas bioativas de ginsenosídeos e uma fração deles são então convertidas no intestino para tornarem-se biodisponíveis. Formas bioativas são geralmente raras (também chamadas de “ginsenosídeos raros”). Esse perfil único do ginseng oferece uma melhor bioatividade e é consistente de uma colheita para outra, o que leva a benefícios [também] consistentes.

Você descreve que “os participantes desse estudo eram indivíduos ocupados com serviço social – teleoperadores, engenheiros e pessoal de Tecnologia da Informação, que estão constantemente sobrecarregados com tarefas cognitivas e expostos ao estresse social”. Por que estudar o ginseng nesse público em específico?

Ginseng (Panax ginseng) é considerado como o rei dos adaptógenos. Adaptógenos são plantas que aumentam a resiliência contra várias fontes de estresse. 

O principal objetivo do nosso primeiro ensaio clínico foi demonstrar que o ginseng é realmente um poderoso adaptógeno a partir de uma perspectiva clínica. Para esse projeto, trabalhamos com Alexander Panossian, um célebre especialista em plantas adaptógenas, e ele sugeriu testar o produto sob condições de trabalho muito estressantes. Sob essas condições de trabalho, um efeito placebo não é suficiente e você precisa de uma real atividade adaptógena para obter um efeito clinicamente significativo. Por isso, essa foi a "população" analisada.

Quais são os principais resultados do seu estudo? Quais conclusões podem ser tiradas sobre a eficácia do ginseng HRG80, baseado em seus resultados?

Produto HRG80. Foto via Vives.

Há três conclusões que podemos tirar do estudo:

  • HRG80 aumenta significativamente a capacidade de foco sob condições de sobrecarga de trabalho após uma única dose.
  • HRG80 diminui significativamente o estresse percebido sob condições de sobrecarga de trabalho após apenas 5 dias.
  • HRG80 aumenta a performance mnésica (memória) significativamente após 12 dias

Em 2010, uma revisão Cochrane concluiu que “há uma falta de evidências contundentes que mostrem um efeito melhorador da cognição do Panax ginseng em pessoas saudáveis e nenhuma evidência de alta qualidade sobre sua eficácia em pacientes com demência”, principalmente por conta da heterogeneidade dos produtos investigados. Você poderia, por favor, comentar essa conclusão? Por que estudos sobre o ginseng muitas vezes possuem resultados conflitantes?

Como árduos defensores da fitoterapia baseada na ciência, só podemos concordar com a Cochrane nesse quesito. A ampla heterogeneidade das preparações de ginseng e a qualidade bem frequentemente medíocre só pode levar à resultados clínicos conflitantes. Se um estudo utiliza um produto com amplo espectro (ou seja, sem extração de moléculas específicas), pode se beneficiar de todos os constituintes ativos, mas o perfil molecular varia a cada colheita (consequentemente, a eficácia produto varia de um lote para outro). 

Se o estudo utiliza um extrato, a riqueza de princípios ativos é estável, mas o perfil molecular pode ainda assim variar. Além disso, você perde alguns dos princípios ativos (por exemplo, se você purificar ginsenosídeos, você perde a maior parte de polissacarídeos do ginseng, chamados de ginsans).


Isso está na essência da nossa abordagem, uma vez que oferecemos uma planta pura, potente e de amplo espectro, com um perfil molecular consistente. Sempre usamos a mesma variedade de ginseng, desenvolvida sob as mesmas exatas condições, levando a um perfil molecular padronizado e ideal, e portanto a benefícios consistentes à saúde.

Como é usar o ginseng HRG80, subjetivamente? O que as pessoas relatam?

Executamos um teste de utilização com 160 usuários para comparar as diferenças nos efeitos percebidos. Interessantemente, consumidores não apenas relataram um aumento significativo de energia (comparado ao grupo placebo), mas também um sono melhor e uma redução no consumo de café. Então, o consumo de HRG80 definitivamente dá a sensação de “um dia bom e produtivo” se você usá-lo pela manhã.

Você declarou um conflito de interesse, uma vez que você é co-CEO na Botalys SA. Isso deveria despertar algum ceticismo acerca do estudo?

Na verdadeira Ciência, transparência é chave. Mesmo que nosso estudo tenha sido executado por terceiros, demos suporte financeiro aos experimentos e, portanto, nos sentimos na obrigação de mencionar isso na publicação final. Desejamos definir um novo padrão não apenas em termos da qualidade dos produtos, mas também em termos de ética, para um melhor futuro nutracêutico.

O ginseng HRG80 é exportado para outros países?

América do Norte e Ásia são atualmente nossos principais mercados.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Magnésio e as emoções: qual a relação?

A suplementação de magnésio pode ter benefícios para a saúde mental e humor? Conversei sobre esse tema com o médico Thiago Serra e a nutricionista Amanda Castro 

Suplementos de magnésio caíram (literalmente) na boca do povo e não ficam mais parados nas gôndolas das farmácias. Luciano Vigatto, farmacêutico, trabalha há duas décadas - e percebe uma escalada na procura por suplementos como cloreto de magnésio P.A. (pó e cápsulas) e magnésio dimalato. 

"De uns tempos para cá, está vendendo demais. As pessoas compram para tratamento de fibromialgia, dores na coluna e nas pernas", descreve Vigatto, após me enviar a foto da prateleira da drogaria reservada aos suplementos de magnésio.

Foto: arquivo pessoal de Luciano Vigatto / Reprodução

Uma melhora do humor e do estado emocional também motivam a corrida por suplementos de magnésio. Pela Internet, inúmeras páginas e vídeos vendem a ideia de que o mineral ajudaria a combater a depressão e a ansiedade. Mas será que o magnésio de fato pode ajudar a nossa saúde mental? E existem evidências científicas de que ele é eficaz em aplacar a ansiedade e melhorar o humor?

Para buscar a resposta, conversei com o médico Thiago Serra, que é formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) e Pós-Graduando em Psiquiatria [clique aqui para acessar seu Instagram] e com a nutricionista clínica Amanda Castro, formada pela Universidade Federal da Bahia e Pós-Graduada em Alergias e Intolerâncias Alimentares e em Vigilância Sanitária [clique aqui para acessar seu Instagram].