terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Fluoromodafinil: droga 4 vezes mais eficiente que o modafinil pode chegar às farmácias

Começou a corrida para a nova geração dos eugeróicos: empresa francesa iniciará testes em humanos com versão mais arrojada do modafinil. Droga pode deixar as pessoas mais "bem-sucedidas"



É uma tarde tumultuada na Casa Branca, nos Estados Unidos. O Presidente, como se já não estivesse sobrecarregado demais com as suas obrigações usuais, vê o seu governo envolto numa investigação de corrupção. A opinião pública o extermina e a imprensa não o perdoa. Angustiado em meio dessas tensões, a exaustão é notável em seu semblante abatido.

Na intimidade do Salão Oval - o gabinete de trabalho do Presidente - ele recebe os conselhos do seu vice. Percebendo que o vigor do seu superior está esfalecido, o vice-presidente então sugere que ele tire um cochilo no sofá. O vice apenas espera o Presidente pegar no sono para lançar mais um de seus ácidos comentários:


"Sempre odiei a necessidade de dormir. Assim como a morte, ela faz até mesmo os homens mais poderosos se renderem", diz Francis Underwood. Sim, toda essa narrativa foi tirada da ficção da série House of Cards. Ainda assim, a narrativa te faz lembrar algo muito real:  não importa o quanto poder você tenha - ainda assim você terá que sucumbir à uma das nossas necessidades biológicas mais básicas: o sono.  

Ainda não sabemos como debelar o sono totalmente. Mas a ciência já sabe como adiá-lo por muitas horas - postergando essa necessidade biológica, sem que você fique combalido física e psicologicamente. O mérito é do especialista em sono, Michel Jouvet, que trabalhou no laboratório francês Lafon. Ele descobriu no final dos anos 70 o adrafinil (você pode ler a história completa ao clicar aqui).

Essa droga era especialmente eficaz para tratar uma doença: a narcolepsia - que causa episódios irresistíveis de sono (sim, sono incontrolável). Não é uma doença muito legal para se ter quando você precisa operar máquinas, dirigir carros ou simplesmente trabalhar. Então, a necessidade de criar um fármaco pró-vigília era latente.

A conversão do adrafinil para o modafinil ocorre no fígado
As pesquisas se aprofundaram até os laboratórios Lafon chegarem num composto mais sofisticado - o modafinil. O adrafinil já é metabolizado em modafinil no corpo - mas com a diferença de que o primeiro é levemente tóxico e causa mais efeitos colaterais. Boa notícia para os narcolépticos? Excelente. Mas não só para eles.

Também para humanos saudáveis: de acordo com uma pilha de estudos científicos, esses podem se manter funcionais mesmo após horas e horas sem pregar os olhos. E sem as alterações emocionais e físicas das anfetaminas - apenas acordados.

Isso parece ser um cenário futurista - e seria se o modafinil já não estivesse sendo usado aos montes nas Forças Armadas há um tempo: França, Estados Unidos e a Grã-Bretanha já usaram o modafinil em seus oficiais em momentos de guerra (o ministro da Defesa britânico comprou 24000 comprimidos do modafinil!). 

Não, o objetivo não é aniquilar o sono, nem manter pilotos e soldados acordados para sempre. De novo, que está em jogo - e é algo que a ciência já domina hoje -  com o modafinil - é a capacidade de restaurar o nível normal de cognição (a baseline) em alguém que já está numa vigília prolongada. Trata-se atenuar ou mesmo reverter os impactos negativos que a falta de sono tem na capacidade de raciocínio e concentração.

Modafinil é vendido nos EUA sob o nome
Provigil, da Cephalon
E isso o modafinil faz com excelência. Daí nasceu a alcunha de "eugeróico" - algo que do grego significa "bom despertar". São pouquíssimas as moléculas que estão sob o chapéu de fármacos eugeróicos.

Essa história fica ainda mais polêmica quando se fala não apenas não apenas em restaurar o desempenho normal arranhado pelo sono, mas otimizá-lo: ampliar a capacidade cognitiva. Daí, deriva a fama do modafinil de ser uma smart drug.

Cientistas, ainda neste ano de 2015, deram um passo audacioso: publicaram uma revisão de literatura que trouxe conclusões ousadas: o modafinil melhora, sim, várias funções intelectuais. A meta-análise - assinada pelos cientistas de Harvard e Oxford (algo que - por bem ou por mal - já parece aumentar o prestígio de uma publicação científica) anunciou que, quanto mais complexa e extenuante for uma tarefa, mais notáveis são os benefícios cognitivos do modafinil.

Outro estudo notou que, sob os efeitos do modafinil, voluntários saudáveis e sem privação de sono tiveram melhoras cognitivas como otimização da memória operativa espacial, planejamento e tomada de decisões. Subjetivamente, os voluntários que usaram o modafinil notaram que sentiam mais prazer ao desempenhar tarefas cognitivas, quando comparados ao grupo controle.

Se você quiser conhecer um pouco mais a respeito do modafinil - e também sobre outros vários nootrópicos e "suplementos cerebrais" - clique aqui para conhecer o meu livro, o Turbine Seu Cérebro. Para quem tem interesse pelo tema de melhoramento cognitivo, a leitura é fundamental - e muito prazerosa.

Mas, agora, eu vou falar a respeito de algo totalmente distinto e que não está no livro, nem em nenhum site em português - o fluoromodafinil.

Fluoromodafinil: porque a fluoração do modafinil faz toda diferença
Perda de patentes deflagra a busca por novos eugeróicos
A patente americana do modafinil, registrada em 1990 pelo laboratório Lafon, expirou em 2012. Nesses 20 anos, a Lafon foi comprada pela Cephalon, que comercializa o Provigil (modafinil) nos EUA. O mesmo está ocorrendo em outros países do mundo - com a ascensão do modafinil genérico.

Como o modafinil era o carro-chefe das vendas da Cephalon (estamos falando de lucros já entrando na casa do bilhão), é claro que a competição com os genéricos afeta bastante a empresa. E, então, eles tentam empurrar goela abaixo dos pacientes de narcolepsia uma versão modificada - o armodafinil. Trata-se essencialmente da mesma molécula - mas numa forma "pura" que contém apenas o isômero direito do modafinil - que é o mais eficiente biologicamente. Essa versão tem proteção de patente até 2024.

Ainda na esteira da fama da droga, outros laboratórios entram na corrida do mercado dos eugeróicos. Um laboratório francês quer resgatar um "projeto" esquecido da Lafon - o fluoromodafinil.

Estrutura molecular do fluoromodafinil
Para quem está com a Química Orgânica em dia, trata-se uma versão organofluorada do modafinil. Em cada um dos dois anéis aromáticos da molécula do velho modafinil, são adicionados um átomo de flúor na posição -para. Daí, o nome fluoromodafinil (ou difluoromodafinil).


Mas o que mais interessa aqui é a relevância disso, em termos práticos? Parece um detalhe bobo: apenas "arrancaram-se" dois átomos de hidrogênio e o substituíram por átomos de flúor. Só que mesmo pequenas mudanças na estrutura molecular fazem uma enorme diferença. E é esse o caso: o flúor aqui faz ligações químicas muito fortes com o carbono (porque o flúor é extremamente eletronegativo - é um "sugador" de elétrons).

Essa propriedade do flúor de agarrar elétrons para si afeta toda a distribuição eletrônica na molécula. Resultado prático: aquele antigo modafinil se torna um composto bem mais estável quimicamente. A forte ligação que o flúor faz com o carbono dificulta o trabalho das enzimas que tentam quebrar a droga. Isso pode fazer com que a droga tenha uma meia-vida maior - e funcione por mais tempo.

A adição do flúor pode provocar efeitos dramáticos - em geral torna as drogas mais seletivas (isto é, elas conseguem interagir melhor com as suas moléculas-alvo). Daí, se tornam mais eficientes.

Um exemplo dessa maior eficiência tem a ver com a comparação de efeitos do modafinil e do fluoromodafinil na inibição da recaptação de dopamina.

Vou explicar brevemente o que é isso: um neurônio e outro se comunicam por sinapse - uma brecha que os separam fisicamente. Um neurônio pré-sináptico pode lançar mensageiros químicos - encarregados de fazer a "conversa". Um deles é a dopamina, que precisa encontrar receptores específicos ao seu formato tridimensional na superfície do neurônio pós-sináptico.

Alguns estudos mostram que o modafinil leva à maior liberação de dopamina em certas regiões do cérebro - inclusive o núcleo accubens, parte importante da via de recompensa. A grande ação, porém, se deve à inibição da recaptação de dopamina.
Depois que a comunicação é feita, a primeira célula nervosa reabsorve o que sobrou de dopamina na sinapse, por meio de proteínas recaptadoras. Essas proteínas pré-sinápticas são como ralos que sugam a dopamina restante. O que o modafinil faz é cobrir esse ralo. Ele é um inibidor das proteínas que fazem a recaptação da dopamina. O esquema acima (que eu encontrei na Internet e adaptei para o fluoromodafinil) expressa esse mecanismo de ação.

O que já foi demonstrado num estudo científico é que o fluoromodafinil tem uma afinidade de ligação maior com essas proteínas recaptadoras que o modafinil. É como se a geometria do fluoromodafinil fosse mais específica e favorável para o encaixe com o "ralo". Por isso, ainda menos dopamina seria sugada por aquelas proteínas de reabsorção.

Com o fluoromodafinil, mais dopamina ficaria banhando o neurônio pós-sináptico e estimulando-o que com o modafinil. Ao mesmo tempo em que isso poderia aumentar o "poder cognitivo" da molécula (como veremos mais adiante: o fluoromodafinil aumenta o foco, motivação e autocontrole), também poderia aumentar as chances de dependência.

É importante notar que o a adição de flúor possivelmente também aumenta a afinidade por outros receptores do modafinil. Por exemplo, o modafinil parece ativar receptores proteínas em neurônios que produzem a orexina - um neurotransmissor que aumenta a vigília. A versão organofluorada do modafinil teria ainda mais afinidade pelas proteínas receptores - daí aumentando a capacidade da droga de te deixar acordado.

Outra vantagem do uso do flúor é que o modafinil é um psicotrópico - e, para deflagrar seus efeitos, ele precisa penetrar a barreira hematoencefálica (uma proteção que divide o sangue do cérebro). O flúor também influencia até aqui: ele otimiza a penetração por essa barreira, o que aumenta a biodisponibilidade (o aproveitamento) de uma droga psicotrópica.

Agora, vamos voltar um pouco no tempo - e ver as primeiras pesquisas em torno do CRL-40,940 (ou, para os íntimos, o fluoromodafinil).

1982: as primeiras investigações do CRL-40,940 - o fluoromodafinil
Não há nada de novo sob o Sol. O interesse pelo CRL-40,940 ressurgiu com o interesse de uma empresa francesa em torno da droga, como nós vamos ver adiante. Mas essa droga já foi sintetizada pela primeira vez lá nos fins dos anos 70 - junto com o adrafinil e o modafinil, pelo mesmo Michel Jouvet, nos laboratórios da Lafon.

Foi numa patente de 1982 que o até então CRL-40,940 - que mais tarde receberia o nome mais amigável de fluoromodafinil - foi mencionado pela primeira vez até onde eu pesquisei. E o que mais surpreende é que essa droga - que até hoje é experimental - já foi testada em humanos. Creio que usar cobaias humanas "e ver no que vai dar" antes de patentear um novo composto seria impensável nos dias de hoje - mas não era lá na França de 1982. Pelo menos, diz assim a patente, sob o tópico Ensaios Clínicos:
Em humanos, especialmente nos mais idosos, foi observado que o (...) CRL-40,940 (...) administrado na forma de cápsulas ou comprimidos - cada um contendo 100 a 200 mg do princípio ativo (dados ou uma ou duas ou três vezes ao dia) demonstrou excelentes resultados como medicamento estimulante.
Ainda, a patente fala que o estudo neuropsicofarmacológico do CRL-40,940, o nosso fluoromodafinil, revelou "essencialmente, um composto promissor". Isso, segundo os laboratórios Lafon na época, era por causas das propriedades peculiares do composto em testes com ratos.

CRL-40,940 é o código da extinta Lafon para o fluoromodafinil
Mostrou-se que o fluoromodafinil tinha efeitos como "aumento da atividade motora", "antagonismo dos efeitos de barbitúricos (drogas sedativas mais comuns no passado)" e "melhora na recuperação da atividade motora após asfixia". Esse último resultado é significativo: em ratos que foram privados de oxigênio, o fluoromodafinil foi capaz de acelerar a melhora das sequelas.

O que é ainda mais fascinante - e também acontece com o modafinil - é que os efeitos do CRL-40,940 nada tem a ver com os das anfetaminas. Diferente dessas, os testes mostraram que o fluoromodafinil "exerce seus efeitos sem causar toxicidade nos grupos de ratos e sem causar sinais de estimulação do sistema nervoso periférico simpático" nas dosagens padrão.

Eu sei que estimulação do sistema nervoso periférico simpático pode parecer um palavrão. O conceito é bem simples e também trata-se de uma propriedade extremamente interessante. Basicamente, significa que o fluoromodafinil é seletivo: tem como alvo primordial o sistema nervoso central - em especial o cérebro. Ele não age fundamentalmente como estimulante periférico - algo que poderia causar efeitos adversos desagradáveis, como aumento da transpiração, pressão alta e aceleração dos batimentos cardíacos.

A cafeína causa grande estimulação do sistema nervoso simpático - resultado em efeitos colaterais desagradáveis. Isso não é comum com o fluoromodafinil, sugere patente
Para entender melhor, vale uma comparação com a cafeína. Perto do fluoromodafinil, a cafeína talvez ainda consiga competir como "estimulante", mas peca em sofisticação. É como uma "droga suja": ela não só estimula o cérebro, mas também estimula a "periferia" - o seu sistema nervoso simpático. Daí, além da sensação de alerta, junto vem a sudorese, as tremedeiras e a sensação de que o coração vai sair pela boca depois de se usar um pré-treino com 420 mg de cafeína. É algo inviável para ser usado em contextos sociais. Além disso, há problemas como dependência e tolerância que surgem incrivelmente rápido.

O fluoromodafinil - segundo evidências colhidas 30 anos atrás - é bem mais específico. As suas flechas estão miradas para o cérebro, com um mínimo potencial para causar sensações desagradáveis como a maioria dos estimulantes clássicos. E, diante dessas propriedades, tem uma empresa de biotecnologia já querendo tirar as teias que se acumularam no antigo CRL-40,940 após tantos anos.

Fluoromodafinil: proteção de patente é concedida à empresa que promete "aumentar a função cognitiva de pessoas saudáveis" 
A patente original do fluoromodafinil expirou em maio de 2003. Mesmo assim, em 2012, o psiquiatra Eric Konofal registrou um pedido de Renovação de Patente para a mesma molécula. No pedido de patente, ele a chama de "Lauflumide".

O interesse de Eric Konofal de tirar o pó do fluoromodafinil não vem à toa. Primeiro: Eric Konofal, PhD, tem um interesse especial por nootrópicos e smart drugs. Ele é um especialista em problemas de sono e em Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Eric é autoridade no assunto - e está mudando muito do que sabemos sobre o TDAH.

Recentemente, ele mostrou que além das disfunções sistema dopaminérgico, a deficiência de ferro tem um papel crucial no desenvolvimento do TDAH. Ainda em dezembro de 2014, Eric Konofal publicou um estudo mostrando que o mazindol - um estimulante não-anfetamínico - é eficiente no tratamento de TDAH em 21 crianças de um ensaio clínico de fase II.

Mas onde a história fica mais interessante é que Eric está à frente de uma empresa de biotecnologia francesa chamada de NeuroLifeSciences (NLS). Não é o tipo de companhia conservadora que estamos acostumados a ver. Pelo contrário: a NLS exibe uma proposta ousada.

"Estamos desenvolvendo novas abordagens para tratar doenças mentais e comportamentais, e para aumentar a função cognitiva de pessoas saudáveis", diz website da NeuroLifeSciences.

A empresa diz que a sua promessa é "desenvolver drogas acessíveis, seguras e eficientes para proteger e fortalecer o cérebro por todos os estágios da vida". E vai ainda mais adiante: "estamos criando novas abordagens para (...) aumentar a função cognitiva de pessoas saudáveis". Uma empresa séria propondo aumentar a inteligência de pessoas saudáveis? De tão audacioso, chega a parecer mentira.

Só que não é. E o "Lauflumide" (fluoromodafinil) pode (quem sabe) ser um nootrópico promissor, já que é ainda mais eficiente que o modafinil. É difícil dizer se nós chegaremos ao ponto de torná-lo acessível a qualquer pessoa. Mas a NLS já deu o primeiro passo nas investigações do composto misterioso.

Eric Konofal, ao pedir a Renovação da Patente do fluoromodafinil, usou a seguinte estratégia: atribuir uma nova utilidade - até então nunca descrita na literatura - para uma molécula que já existia. O psiquiatra apresentou evidências, no requerimento, de que a molécula (a qual ele chama de Lauflumide) pode ser utilizada como uma terapia para o TDAH. E ainda: o Lauflumide seria superior às terapias clássicas, como a Ritalina. Isso chega num momento em que o tratamento do TDAH com a Ritalina ganha cada vez mais descrédito na comunidade científica.

Página do Adis Insight informa que no dia 4 de dezembro de 2015, a proteção para a patente do Lauflumide foi concedida à NeuroLifeSciences, nos EUA

A surpresa: a proteção para a patente do Lauflumide (fluoromodafinil) foi concedida à NeuroLifeSciences (NLS) nos EUA onze dias antes da publicação desse artigo. Quais as chances dessa droga chegar às farmácias? Antes de 4 de dezembro de 2015, você poderia muito bem imaginar que o fluoromodafinil era uma promessa futurista - até mesmo utópica. Agora, porém, um possível uso da droga começa a ser esboçado - o fluoromodafinil acabou de entrar em fase de testes clínicos em humanos.


Website da NeuroLifeSciences informa que a droga Lauflumide - código NLS-4 - já está na fase I de ensaios clínicos para fins de tratamento de TDAH e doença de Alzheimer
Incrivelmente, a NLS conseguiu a aprovação para conduzir testes clínicos de fase I. A expectativa é de que o fluoromodafinil seja usado para tratar a doença de Alzheimer e o TDAH. A tal fase I geralmente envolve um pequeno número de voluntários, a fim de avaliar a segurança da droga. Também, na fase I, avalia-se a farmacocinética da droga experimental (tempo para ser metabolizada, absorção, entre outros parâmetros).

A NLS ainda precisa enveredar por um longo caminho até que a droga seja aprovada (caso ela seja) - mas pelo menos os passos iniciais da jornada já foram dados. O fluoromodafinil pode muito bem chegar à prateleira das farmácias daqui a alguns anos, sob o nome de Lauflumide. A possível indicação será para o tratamento do TDAH, narcolepsia - e, surpreendentemente, a doença de Alzheimer, ao que tudo indica.

"O fluoromodafinil é 4 vezes mais eficiente que o modafinil e tem menos efeitos colaterais", diz Eric Konofal
Na nova patente, Eric Konofal explora as desvantagens das terapias convencionais para o TDAH, narcolepsia e sonolência excessiva. O médico enumera, por exemplo, que as terapias atuais envolvem um "efeito rebote", com a volta de sintomas ainda mais fortes após a cessação dos efeitos dos medicamentos. Eric fala ainda da necessidade de desenvolver uma terapia moderna que "tenha baixa toxicidade e que seja capaz de aliviar os sintomas que resistem às terapias atuais".

Em seguida, Eric resgata aquelas memórias da patente de 1982 - e dá um novo suspiro para a história do fluoromodafinil. O psiquiatra alega que o fluoromodafinil é mais eficiente que o modafinil e o adrafinil para as indicações clínicas que eles se propõem a tratar. A cereja do bolo: o composto organofluorado ainda possuiria menos efeitos colaterais que esses dois, segundo Eric.

Confira um trecho do texto:
O Lauflumide (fluoromodafinil, CRL-40,940) não é uma anfetamina. Consequentemente, ele não tem os efeitos colaterais das anfetaminas. Ele é 20 vezes mais eficiente que o adrafinil e 4 vezes mais eficiente que o modafinil. O Lauflumide constituiu uma alternativa terapêutica ao metilfenidato (Ritalina) e às anfetaminas no tratamento do TDAH e uma alternativa ao modafinil na narcolepsia e na sonolência excessiva. O Lauflumide (mistura racêmica) tem uma eficiência esperada no plasma de 6 a 7 horas.
Eric Konofal

Segundo o médico, a posologia preferencial seria de 200 a 300 mg de Lauflumide (fluoromodafinil) por dia no tratamento da narcolepsia, sonolência excessiva e TDAH. O médico ainda sugere que o Lauflumide poderia ser combinado ao metilfenidato (Ritalina) ou ao próprio modafinil. No entanto, ele cita que a combinação com as anfetaminas (por exemplo, Venvanse e Adderall) não seria recomendada. Apesar das especulações sobre a posologia, somente será possível determinar precisamente as dosagens terapêuticas eficazes com a condução dos ensaios clínicos.

Eu creio que é muito conveniente fazer uma observação sobre o significado de um aumento de eficiência - esse entendimento parece crucial para entender melhor o fluoromodafinil. A eficiência refere-se ao efeito biológico máximo, à resposta terapêutica máxima que um fármaco pode induzir. Um exemplo idiota que poderá ajudar a visualizar: a morfina consegue aliviar mais a dor que o paracetamol. Então, a morfina é mais eficiente que o paracetamol em seu objetivo terapêutico - que é o efeito analgésico.

Já "potência" de uma droga se refere às dosagens para se obter o mesmo efeito terapêutico. Por exemplo, os inventores do Noopept dizem que ele é 1000 vezes mais potente que o piracetam - porque o Noopept pode ser usado em doses 1000 vezes menores nas mesmas indicações do piracetam, com efeito similar. (O Noopept também é mais eficiente - uma coisa não nega a outra, mas os dois não são iguais).

Para quem quer entender melhor essas diferença, sugiro dar uma olhada neste artigo de Farmacologia que é muito bem explicado.

O fato de que o fluoromodafinil é um fármaco mais eficiente significa, em miúdos, que seu efeito eugeróico tem uma intensidade muito maior. Os benefícios cognitivos do modafinil - quanto ao foco e a concentração - também são reforçados (daí a defesa do uso em TDAH). Segundo Eric Konofal, o potencial terapêutico do fluoromodafinil é o quádruplo daquele observado com o modafinil.

Fluoromodafinil é capaz de aumentar o autocontrole (e porque isso poderia tornar você mais bem-sucedido)

Ainda: o pesquisador Eric Konofal fez um teste interessante com ratos. Ele comparou o efeito do fluoromodafinil contra ao de drogas como o metilfenidato (Ritalina), o modafinil e também contra um placebo. Trata-se de um teste super interessante e bastante usado para avaliar a eficiência de drogas contra o TDAH no controle da impulsividade -  é o T-maze test.


Nesse teste, os ratos são colocados num aparelho em forma de T, como esse acima. Eles devem escolher se vão para a esquerda ou para direita. Essas escolhas guardam diferenças. Num extremo, tem uma recompensa que é imediata: uma única pelota de ração. No outro extremo, os ratos aprendem que conseguirão uma recompensa maior: cinco pelotas de ração. No entanto, eles são treinados a aprender que deverão esperar durante 30 segundos para receber essa recompensa maior.

Daí surge o "problema" desses ratos: eles tem que ter paciência. Mais que isso: eles precisam controlar a impulsividade para não caírem na tentação de escolher a recompensa imediata - que é menor. É uma tarefa que exige um pouco de foco e autocontrole do cérebro dos ratos. Agora, vamos dar uma olhada nos resultados do teste de Eric - e depois eu explico o que isso significa para nós, humanos.

Os testes mostraram que o fluoromodafinil teve a mesma eficiência que a Ritalina em aumentar a capacidade de esperar (ou seja, é capaz de reduzir a impulsividade tão bem quanto a Rita) dos ratos. Eles se sentiam mais "motivados" a esperar pela recompensa maior, em vez de optarem pela recompensa que exigia menor esforço. Esse é um indicativo de otimização do sistema dopaminérgico. Ainda: o fluoromodafinil foi mais eficiente que o modafinil em melhorar a capacidade de espera desses ratos - o que vai de acordar com aquela maior afinidade do fluoro pelas proteínas de reabsorção que vimos anterior.

Para mim, um teste análogo ao do T-maze é o teste do marshmallow. Esse último foi feito originalmente na Universidade de Stanford nos anos 60. Foi refeito há alguns anos e publicado no Youtube - você pode conferir o vídeo abaixo. Funciona assim: os psicólogos oferecem a crianças um tentador marshmallow. Antes de deixar a sala, eles dizem às crianças que, se elas esperarem por 15 minutos, irão receber um segundo marshmallow como recompensa.



Apenas uma em cada três crianças do teste de Stanford resistiram à espera. O resto acabou cedendo às tentações e mandou o autocontrole para bem longe. Depois disso, os pesquisadores acompanharam o desempenho das crianças nas décadas seguintes. Surpreendentemente, 100% das crianças que abriram mão do prazer imediato eram bem-sucedidas: tiravam notas mais altas no vestibular e tinham mais amigos. Aqueles que não resistiram ao impulso não estavam tão bem de vida.

Quem tem mais autocontrole é mais bem-sucedido. Isso é algo um tanto óbvio. Entre ficar estudando duro em casa ou ir para uma festa ou um passeio com amigos, qual você escolheria? Fazer a "decisão correta" envolve um processo mental que exige focar naquilo que é realmente importante no momento.

Você é capaz de esperar pelo segundo marshmallow?
Isso envolve fatores genéticos. Mas o que o teste nos diz é que o fluoromodafinil pode "dar uma mãozinha", mexendo na química do cérebro e aumentando a motivação e o autocontrole. Lembra da forma como o fluoromodafinil tampa aqueles ralos que sugam a dopamina das sinapses? A dopamina é crucial para que, durante a execução de uma tarefa, nós nos sintamos encorajados a seguir em frente, mesmo sob dificuldades. A dopamina nos mantém focados. A dopamina faz com que a gente não coma o marshmallow de primeira - e sim que a gente invista nosso tempo um bocado para receber um retorno de 100%.

Também é interessante observar que a literatura já mencionou uma outra droga produzida pela Lafon, a CRL-40,941. Esse composto químico está para o CRL-40,940 (o fluoromodafinil) assim como o adrafinil está para o modafinil. No corpo, o CRL-40,941 logo é metabolizado em fluoromodafinil - ou seja, terá os mesmos efeitos que ele.

Os inventores da Lafon notaram que o tal CRL-40,941 (também chamado de fladrafinil) tem propriedades similares ao do modafinil: é um psicotônico (combate a fadiga mental) e um eugeróico. No entanto, curiosamente, o CRL-40,941 exibiu características únicas, com destaque para maior biodisponibilidade e uma "propriedade anti-agressiva" em ratos. Isso, por si só, não explica muito - mas não deixa de ser interessante.

Aplicação na doença de Alzheimer
Um estudo randomizado, duplo-cego, placebo-controlado, mostrou que o modafinil não tem muita aplicação como tratamento adjunto para pacientes com doença de Alzheimer. Os pacientes não tiveram nenhuma melhora na apatia ou em sua tarefas diárias. É curioso, portanto, que a NeuroLifeSciences queira investigar o uso do fluoromodafinil para a mesma doença.

Cobaias humanas já utilizam o fluoromodafinil
A proteção de patente para o uso do fluoromodafinil em pacientes com TDAH só foi recentemente concedida à NeuroLifeSciences. Ainda trata-se de uma droga experimental - sem aprovação para uso humanos.

 O fluoromodafinil da New Mind
Foto: Arquivo Fórum Good Looking Loser
Mas, mesmo antes da concessão de proteção, já pipocavam em fóruns em inglês alguns relatos sobre o misterioso CRL-40,940. Desde o pedido da nova patente, elencando as propriedades da versão fluorada no combate ao TDAH, ressuscitou-se o interesse por essa droga até então esquecida.

A comunidade de nootrópicos internacional voltou seus olhos sedentos por novidades para o fluoromodafinil. Pegando o bonde, empresas independentes que sintetizam compostos químicos nos EUA, como a New Mind, logo atenderam à crescente demanda. Essas empresas (que comercializam nootrópicos e suplementos, em geral) apoiam-se numa brecha da lei norte-americana - que permite que produtos sem registro sejam vendidos para "fins de pesquisa científica".

Daí, a New Mind pode vender o fluoromodafinil para "ser usado apenas em laboratório", avisando que ele "não deve ser utilizado para tratar doenças". O fluoromodafinil é, sob essa ótica, legalizado. Norte-americanos podem comprá-lo para conduzir seus próprios ensaios clínicos (muitas vezes em si próprios, é claro).

Isso é seguro? É impossível saber. Há um registro do uso do fluoromodafinil em humanos, em 1982, na patente da Lafon. Testes de toxicidade foram conduzidos em animais e determinam a dose letal - que é extramente alta - o que indica que o uso agudo do fluoromodafinil não é tóxico. Ainda assim, não sabemos muito - quem utiliza a versão organofluorada se escora em migalhas de informações registradas mais de 30 anos atrás.

Alguns usuários em fóruns levantaram a possibilidade de toxicidade por flúor. De fato, o flúor (neste caso, o íon fluoreto) é tóxico inclusive para o cérebro. No entanto, essa não é uma possibilidade com compostos organofluorados - que é o caso do fluoromodafinil - porque a ligação entre o carbono e o flúor é forte demais (uma das fortes da natureza) para liberar íons fluoreto. Cerca de 20% dos fármacos hoje contém flúor em sua composição - e o seu uso em Medicina não é considerado como fonte de envenenamento humano por flúor.

Isso não significa, porém, que o fluoromodafinil seja livre de outros efeitos colaterais. É por isso mesmo que usar uma droga experimental requer culhão grande - mas cérebro pequeno. É comer o primeiro marshmallow e não esperar pelo segundo. Até a condução de testes clínicos rigorosos em humanos, não temos as respostas sobre segurança. Caberá à NeuroLifeSciences elucidá-las.

Ainda assim, cobaias humanas resolveram fazer o teste de graça. É isso que elas descobriram. Faça uma tradução grosseira desses relatos para o português - apenas para fins de entretenimento.


Descobri que o fluoromodafinil é incrivelmente eficaz para levantar cedo já com o seu cérebro funcionando em potência máxima. Eu muitas vezes acordo às 4 horas da manhã para me exercitar em jejum na academia (descobri que foi uma ótima adição além de usar BCAAs [suplemento alimentar formado por alguns aminoácidos]). Eu tenho bastante energia, foco, e não sinto fome alguma.
Leva mais uma hora para surtir o efeito - e ele dura por umas 10-12 horas (...). Na minha universidade, eu faço bastante estudos relacionados à Bioquímica e à Matemática, e descobri que o fluoromodafinil é excepcionalmente poderoso para focar nas partes mais densas da leitura e para trabalhar por horas a fio. Durante essas muitas horas de trabalho, é facilmente possível deixar passar o horário para o lanche e o almoço se você não tomar cuidado. 
Eu não notei nenhum efeito colateral além de um desejo de detonar, concluir as tarefas que estou fazendo, e trabalhar, trabalhar, trabalhar. É possível se encontrar distante do papo furado com os colegas de trabalho (o que talvez seja um malefício), mas eu descobri que isso é facilmente contornável com 0,5-2 gramas de Phenibut. Combinando os dois, seu dia entra em "God mode".
"Make of Break", no fórum Good Looking Loser, no dia 1º de novembro de 2015




Eu já experimentei o adrafinil, mas jamais usei o modafinil. Na minha experiência, o fluoromodafinil foi muito mais forte que o adrafinil. Já fazem três semanas que eu estou utilizando-o. 
A cada semana, faço uso durante 5 dias seguidos. Já dá para notar alguma tolerância aos efeitos da droga após os 5 dias, mas, mesmo assim, o fluromodafinil ainda me ajuda a ficar acordado e focado. Minhas doses costumam variar de 250 a 400 mg por dia (...).
Em alguns dias, eu tive dificuldades para pegar no sono. Só que, mesmo nos dias quando dormi somente 4 ou 5 horas, eu ainda acordava me sentindo revigorado. A razão pela qual eu decidi me arriscar (utilizando uma droga experimental) é que o adrafinil não me ajudou muito. Já o modafinil, eu só consigo com receita médica onde eu moro.
Notei alguns efeitos colaterais (com o fluoromodafinil). Começo a sentir dores de cabeça (um paracetamol ajuda a aliviá-las). Sinto-me um pouco mais irritável - já me peguei gritando com o meu cachorro (...). 400 mg é uma megadose. Eu começo a suar mais, me sinto quase confuso, mas muito mais sociável (...). O fluoromodafinil parece aumentar um pouco o meu humor. Comprei o meu pela NewMind.
- "Yukonthom", no Reddit, em abril de 2015



O fluoromodafinil parece funcionar muito bem para tratar o meu TDAH.
Eu comprei um pouco de fluoromodafinil para me ajudar a ficar acordado, já que eu trabalho à noite. Eu já fui diagnosticado com TDAH – sempre convivi com a doença, sem saber. Já experimentei Adderall (remédio composto por uma mistura de quatro sais de anfetamina, vendido nos Estados Unidos), o que ajudou bastante. Mas esse remédio me fazia comer só uma única refeição por dia e dormir umas 4 horas por noite – mesmo quando eu usava em doses de 10-20 mg por dia.
Enfim, voltando ao fluoromodafinil. Eu comprei o meu pela New Mind e estava super entusiasmado, já que trata-se uma versão mais barata do modafinil, sendo a única diferença a adição de flúor para facilitar a absorção. 
Eu li que o fluoromodafinil é uma versão mais potente do modafinil por causa dessa adição de flúor. Então, considerei que uma dosagem entre 100 a 200 mg seria um bom começo. Então, usei 150 mg ontem e, genuinamente, foi uma experiência quase eufórica. Os efeitos são MUITO notáveis. Meus olhos estavam mais abertos. Eu me senti mais consciente do que estava ao meu redor (mais alerta?). 
Mas o principal era que muitas coisas pareciam “mais calmas”, como se a minha mente não estivesse mais super acelerada. Então, houve momentos de extrema claridade (mental) que iam e viam (era algo como a meditação, mas que vinha por acidente em momentos aleatórios).
Dito isso, eu tive alguns problemas com ansiedade, também. Pessoalmente, tenho alguns problemas sérios com perfeccionismo – e eles não melhoraram com o uso do fluoromodafinil. Para mim, é como se TUDO sempre tivesse que estar completamente ideal - e o fluoromodafinil em fez ficar mais estressada do que o normal se eu visse algo que estivesse perfeito. Acho que a droga me deixou mais sério para tarefas do expediente.
O benefício é que esses 150 mg certamente me ajudaram, mas o contra é que com 150 mg eu me senti meio “alto”. Eu não sei se só foi impressão, mas essa dose teve uma “vibe” de anfetamina. Por um lado eu estava muito feliz, mas por outro eu sentia um leve peso por trás dos olhos e experimentei alguns formigamentos na pele. Foi como tomar 5-10 mg de anfetaminas, nada louco, mas mesmo assim parecido. Eu me senti muito mais “acordado” que eu me sentia com 5-10 mg de Adderall, porém.
Hoje, eu usei 75 mg do fluoromodafinil. Mesmo notando diferença, não foi tão forte quanto antes (obviamente). Eu ainda tenho um pouco daquela claridade, sem nenhum dos efeitos colaterais. Eu acredito que 100 mg seja a dosagem ótima, mas é bom saber que tomar 150 mg consegue me acordar com efeitos colaterais mínimos.
 - "EternalOptimist829", no Reddit, em junho de 2015




Depois que eu descobri o fluoromodafinil, fiquei entusiasmado para descobrir se ele teria menos efeitos colaterais (do que o armodafinil). Eu experimentei uma dosagem de 150 mg, e descobrir que ele é muito melhor em comparação ao armodafinil. Eu fiquei mais focado, menos ansioso e menos fadigado do que quando eu usava o armodafinil.
- HospitalDiversionist", no Reddit, em abril de 2015
Não posso comentar sobre a segurança do uso em longo prazo, mas no quesito eficiência, o fluoromodafinil é altamente eficaz. Parece até a minha primeira vez usando o modafinil. Me sinto super acordado, as atividades intelectuais apenas fluem, meu ritmo de leitura normal se torna um ritmo de leitura dinâmica - e com maior compreensão (do texto).
- "Limitless_charyl_g", no Reddit, em agosto de 2015.

Num fórum sobre Transtorno de Déficit de Atenção, um usuário diz que "vai pessoalmente experimentar a droga (o fluromodafinil), monitorando cautelosamente os efeitos". Ele inicia um diário sobre os efeitos da substância em si próprio e na sua esposa. Da forma como descreve, percebe-se que a droga experimental teria muita eficiência para tratar o TDAH (é claro, ainda trata-se de uma droga experimental e sua segurança não foi estabelecida em humanos clinicamente):


11 de novembro de 2015, quarta-feira
Então, os comentários da minha esposa, às 19h20 de hoje, são:
"Eu tive muito mais energia e, na verdade, me diverti bastante com as crianças. Ainda tive que lidar com muitas coisas estressantes, mas eu nem mesmo pensei a respeito disso, só agora."
Ela irá colocar um alarme para as 6 horas da manhã para acordar e tomar a dose de 50 mg em seguida. Irá programar outro alarme para as 7 horas da manhã para ver se ele (o fluoromodafinil) a ajuda a levantar para o dia com mais energia e entusiasmo.
(...)
Nenhum efeito colateral para relatar até agora (...).
12 de novembro de 2015, quinta-feira
O plano dos alarmes não deu muito certo para a minha esposa, mas ainda assim ela usou as 50 mg no café-da-manhã. Ela disse que até às 3 horas da tarde, ele (o fluromodafinil) foi tão bom quanto o metilfenidato (Ritalina) para aliviar os sintomas do TDAH. Para ser claro, ela não tem usado o metilfenidato já faz uma ou duas semanas, para facilitar a percepção dos efeitos do fluoromodafinil nessa fase de testes.
(...)
Eu experimentei 75 mg do fluromodafinil há algumas horas. Eu estou no segundo dia de um curso de capacitação de período integral, que irá durar 4 semanas. Até agora, eu me sinto da mesma forma que utilizando a Ritalina, mas sem as tremedeiras e etc. Eu também estou deixando os meus colegas assustados com meu entusiasmo sincero (sou tipicamente mais cínico). Não fico bocejando e nem lutando para conseguir me concentrar. Meus pensamentos estão focados no curso. Até agora, tudo ótimo!
13 de novembro de 2015, sexta-feira
 São 11 da manhã e eu tomei a minha dose de 75 mg às 7 horas. Eu posso dizer com segurança que eu me sinto emocionalmente estável e focado do mesmo modo que me sinto ao tomar a Ritalina de 10 mg às 7 e outra às 11 da manhã. As diferenças mais notáveis são: 
Fluoromodafinil - nenhuma ansiedade, nenhum sentimento de pressa. Nenhuma tremedeira ou estimulação extrema. Eu também já usei mais ou menos 200 mg. Não notei nenhum efeito colateral até agora. 
A Ritalina parece um pouco mais revigorante e motivadora e acredito que a Ritalina bloqueia as distrações só um pouquinho a mais (que o fluoromodafinil), facilitando mais foco. Dito isso, não trata-se de uma diferença enorme. E eu saí de "trabalhando sob pressão" para uma situação de "trabalhar relaxado, sob tarefas que exigem o mesmo nível de atenção (se não mais)".
Combinado com o aniracetam, aumenta-se a sensação de tranquilidade, especialmente quando existem manifestações físicas de ansiedade. Muito promissor até agora.
14 de novembro de 2015, sábado
Bem, acabou que a minha bexiga me acordou hoje às 6 da manhã. Aproveitei para tomar 100 mg de fluoromodafinil e voltei para a cama, fiquei lá até às 7. Foi mais fácil acordar? Haha, foi como o meu filho mais novo acordando - de modo súbito e cheio de energia para queimar e com uma atitude confiante no estilo "tudo é possível".
A energia, a regulação do humor, a concentração e a melhora da função cognitiva ainda não desapareceram desde a minha dose da manhã - e eu estou escrevendo isso às 15 horas.
(...)
Quando você se encontra numa situação em que você está fazendo uma tarefa desagradável, (o fluoromodafinil) lhe permite trabalhar nela sem que você se sinta negativo, desinteressado, distraído ou entediado. Você consegue terminar as coisas - e ficar contente com isso. 
 (...)
Minha esposa me disse que ela está gostando muito porque ela não sente a deterioração no final da dose (come-down effect, uma sensação de efeito rebote comum depois de algumas horas de uso de estimulantes como a cafeína). Depois que o efeito passa e a fadiga volta, o contraste é notável. Mas é um tipo diferente de "passar o efeito" - um que dura muito mais tempo e é mais lento, então é difícil de perceber. Os efeitos no humor são mínimos.
15 de novembro de 2015, domingo
 Lembra da dose de 100 mg que usei ontem? Ela continuou a funcionar até a minha hora de dormir - e me manteve acordado por um certo tempo. Por isso, eu decidi regredir para 80 mg hoje.
Minha esposa continua a usar 100 mg com resultados positivos e consistentes. 
 (...)
Eu notei que há um aumento no efeito estimulando ao se fazer um stack do fenilpiracetam com o fluoromodafinil. Eu sinto que o fluoromodafinil, por si só, é superior ao fenilpiracetam no que diz respeito ao aumento da produtividade e redução dos sintomas de TDAH - pelo menos, para nós dois, que estamos cronicamente exausto. A atenuação da fadiga é um alívio.
17 de novembro de 2015, terça-feira
Algumas observações extras sobre o fluoromodafinil: ele parece eliminar os sintomas de fadiga crônica, deixando apenas alguns sintomas de hiperatividade e impulsividade. A atenção e o foco são melhorados com o fluoromodafinil, mas não da mesma maneira que eu um estimulante. Ele facilita o foco essencialmente desligando o "modo sobrevivência" da fadiga crônica. O fluoromodafinil permite regular melhor o seu emocional e leva a um raciocínio mais claro, o que se resume em mais auto-controle e também mais energia.
- Polymorphed, no ADD Forums 

Qual é o próximo passo?
Se o fluoromodafinil um dia chegar às prateleiras da farmácia - não será nesse ano, nem no próximo. Os ensaios clínicos costumam demorar um bocado - até que se reúna bastante conhecimento sobre a ação e a segurança de uma droga. Embora o fluoromodafinil seja muito promissor e atrativo, no momento os benefícios não compensam os seus riscos.

Felizmente, há uma diversidade de outros fármacos já aprovados no mercado que, em estudos, foram capazes de beneficiar aspectos como memória, atenção, motivação e humor. Esses podem ser usados somente sob prescrição médica - são todos vendidos com uma receita comum (não são tarja preta).

Além deles, é ainda mais importante considerar as moléculas que são a base para a fluidez do raciocínio: nutrientes específicos para o cérebro. Vitaminas, ácidos graxos, minerais, aminoácidos e fosfolipídeos são essenciais para manter a sua "máquina" funcionando.

Todas essas facetas do aumento cognitivo são exploradas no meu ebook "Turbine Seu Cérebro". Por lá, eu te revelo a minha experiência pessoal com vários nootrópicos - e também mostro o que dizem os estudos científicos por trás deles.

  Clique aqui para conhecer a obra. Boa leitura!

TEXTO: Matheus Pereira
EDIÇÃO DE IMAGENS: Thauan Mendes

22 comentários:

  1. Como compro seu livro? Me passe um email para contato! Preciso disso para me concentrar melhor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mais informações sobre o livro podem ser consultadas no link: http://cerebroturbinado.blogspot.com.br/2015/08/compre-ja-o-ebook-turbine-seu-cerebro.html

      Contate-me no email matheuscdcp@gmail.com

      Excluir
  2. Matheus tem alguma experiencia com o Isketam?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Caio, não tenho experiência com esse produto específico. Mas ele contém uma associação de piracetam com mesilato de diidroergocristina. Eu já fiz uso do Nootropil, que contém o piracetam; e também do Hydergine, que contém uma mistura de mesilatos - entre eles o de diidroergocristina.

      Meu relato está no link http://cerebroturbinado.blogspot.com.br/2015/07/usei-meu-cerebro-como-cobaia-para-7.html e, mais a fundo, no meu ebook Turbine Seu Cérebro

      Excluir
  3. Pode potencializar seus efeitos com noopept ??

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O fluoromodafinil é uma droga experimental. Os testes clínicos ainda nem mesmo determinaram a segurança do fluoromodafinil. "Potencializar os efeitos" é algo difícil de especular quando nem mesmo sabemos com o mínimo de claridade quais são os efeitos do fluoromodafinil.

      Excluir
    2. Mateus aonde vc consegue fluoromodafinil-droga-4-vezes-mais.html?

      Excluir
  4. Matheus, Vc já utilizou o fluoromodafinil ? Se não, pensa em utilizar ?

    ResponderExcluir
  5. Ola, Mateus tira uma duvida, mas resumidamente o Fluormodafinil é recaptador da Dopamina no cerebro e mais eficiente que a Ritalina sem os efeitos colateriais indesejados.. porem na sua tradução diz que é um excelente sinergico com o BCAA , mas sabemos que a BCAA é um bloqueador de dopamina .. ate que ponto essa relação é verdadeira ?? o outra pergunta.. nesta composição o produto tem Fluor que pode causa degeneração cerebral pq é um halogenio usado principalmente em pasta de dente ( cancerigeno) e Frigideiras de teflon ( metal pesado ) , quais os efeitos colaterais deste novo e potente nootripico?

    ResponderExcluir
  6. Matheus, vou começar a tomar o fluoromodafinil + noopept. Quais ciclos eu devo fazer?

    ResponderExcluir
  7. Tomei o fluormodafinil(200mg+ um calmante. Foi o melhor efeito que já senti, potente demais.
    Rendi o dia inteiro com uma concentração absurda, porém não consegui dormir, tive que dormir a base de remedio e mesmo assim acordei antes do despertador com energia. E continuei estudando, quase que com a mesma concentração. Em suma: CONCENTRAÇÃO+FOCO+ENERGIA+AUMENTO NA CAPACIDADE COGNITIVA.
    CONTRAS: ESTADO DE ALERTA ALTO DEMAIS! AS VEZES VIA E PERCEBIA COISAS DEMAIS, PERCEPÇÃO MUITO ALTA, PREJUDICA O SONO.

    ResponderExcluir
  8. Estou usando FLUOROMODAFINIL faz pouco mais de 30 dias. Uso 200mg em dias alternados, nunca em dias seguidos. O resultado é um foco e motivação absurdos! Cheguei a ficar mais de 30 horas ligadão estudando para uma prova complexa de exatas! Comprei pelo site www.nootropicosbrasil.com.br o qual eu indico.

    ResponderExcluir
  9. Dica de ouro: o site evitamins é o que oferece suplementos e vitaminas com maior qualidade e garantia dos Estados Unidos. Eu já fiz diversas compras e sempre recebi tu direitinho e sem ser taxado.
    O site está oferecendo um belo desconto pelo link abaixo. Recomendo!
    https://www.evitamins.com/br/?ref=1554177

    ResponderExcluir
  10. Omez 10mg Capsule is used in the treatment of heartburn and chest pain due to stomach acid reflux disease in which acidic content from the stomach comes up to food pipe and mouth. Treatment of ulcers of stomach, intestine and inflammation and erosion of food pipe due to stomach acid. capsules you get on prescription.

    ResponderExcluir
  11. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  12. Alguém sabe onde consigo o flmodafinil? Conseguia na cuerpo, loja mexicana, porém, lá esta em falta faz uns 2 meses.

    ResponderExcluir